Arte gótica – Origem e características | Arquitetura

A arte gótica, também conhecida como “arte das catedrais”, corrente originária da baixa idade média, é uma arte ligada especialmente à arquitetura, mais precisamente suas monumentais catedrais. Localizada principalmente nas grandes cidades da Europa, é uma arte propriamente religiosa.

A origem da arte gótica

Os séculos XI e XII foram marcados por grandes mudanças políticas e econômicas, o que refletiu no comportamento e convicções sociais. Naquele momento, o cristianismo estava se impondo cada vez mais como a soberana religião a ser seguida na Europa.

Os líderes da Igreja Católica tinham ciência de que essas grandes mudanças estavam resultando em uma grande descentralização populacional. Os cidadãos que viviam nas zonas rurais estavam se mudando para os grandes centros urbanos, que se tornavam cada vez mais desenvolvidos e populosos.

As catedrais

Além do aumento populacional, os centros urbanos tornavam-se rotas frequentes de viajantes e comerciantes de todo o mundo, o que preocupava os líderes religiosos, pois eles temiam que essa interação entre culturas poderia ocasionar um enfraquecimento da Igreja Católica.

Dessa forma, resolveram inovar. No lugar das pequenas igrejas e capelas que existiam na zona rural, instituíram as catedrais como o centro de adoração ao cristianismo.

As catedrais refletiam exatamente o que os cristãos pretendiam transparecer: suas dimensões colossais e arquitetura repleta de detalhes exaltavam o poder e a nobreza que a Igreja Católica simbolizava.

A origem do nome

A arte gótica, como descrito anteriormente, é um estilo de arte propriamente religioso. As primeiras referências estão na substituição gradativa de projetos e construções de edifícios do estilo romântico.

Os estudiosos do século XVI tiveram certo menosprezo com a nova aparência dos prédios, sobretudo igrejas. Relacionavam a estética aos godos, povos bárbaros e invasores do Império Romano.

Dessa forma, surgiu o nome “gótico”, em referência a destruição dos antigos prédios e obras da civilização. Contudo, a arte gótica perdeu esse significado e passou a ser conhecida por suas características próprias.

Características da arte gótica

Tem como principais características:

  • Igrejas mais verticais e altas, querendo dar a ideia de que estavam mais próximas do céu.
  • Os vitrais multicoloridos, principalmente no formato de rosáceas, que são espécies de grandes vitrais arredondados, localizados no centro da igreja.
  • As gárgulas, criaturas aladas de aspectos ligados ao monstruoso, que apesar de serem usadas para disfarçar os canais de escoamento das catedrais, ficou popularmente conhecida por defender as catedrais dos maus espíritos.
  • Espaços mais abertos e bastante iluminados

Catedral Basílica de Saint Denis

A Catedral Basílica de Saint Denis, construída em 1140, na França, é o primeiro registro das impressões da arte gótica, logo após o período do romantismo. Com isso, as comparações são inevitáveis.

Catedral-Basílica-de-Saint-Denis
Catedral Basílica de Saint Denis – França

Enquanto a fachada de uma igreja do estilo romântico tinha um portão de entrada, a igreja do estilo gótico trouxe três portões. Isso possibilitou a construção de torres nas laterais do edifício.

Acima do portão do centro, uma rosácea, grande janela redonda em vidro. Esse elemento faz parte de quase todas as igrejas daquela época, e também é uma espécie de característica marcante desse estilo.

A abóbada, arcos curvilíneos já utilizados pelos povos egípcios, gregos, e aperfeiçoadas pelos romanos, ganhou delicadeza no período romântico. Já nas impressões de arte gótica, se fazem presentes nervuras em diagonais, denominando assim, abóbada de ogivas.

Outros exemplos de catedrais góticas

Alguns exemplos da arte gótica são as catedrais de Notre Dame, em Paris, a da Sagrada Família em Barcelona e a Catedral Duomo, em Milão.

No Brasil, temos a Catedral da Sé, em São Paulo, a Catedral metropolitana de Fortaleza, no Ceará, além de muitas outras.

Catedral de Nodre Dame – Símbolo da arte gótica

Com suas altas colunas e arcos, a catedral de Notre Dame apresenta uma arquitetura típica da arte gótica, com elementos que lhe conferem ascensão vertical. Seu esqueleto estrutural é visto apenas do lado externo da edificação, trazendo uma certa leveza.

Sua planta interna apresenta um formato de cruz (fazendo alusão à cruz romana), arranjo envolvido pelas paredes externas da edificação, de forma que tal formato não é observado pelo lado de fora.

A fachada da catedral de Notre Dame apresenta uma arquitetura que preza pela simetria, dividindo-se em três níveis horizontais: inferior, intermediário e superior.

Simbologia da Catedral de Notre Dame

O nível inferior é marcado por três grandes portais:

  • Portal de Santa Ana: Localizado do lado direito, seu tímpano (arco superior) contém esculturas que representam Maria e o menino Jesus;
  • Portal da Virgem: Localizado do lado esquerdo, com seu tímpano representando a morte e ascensão de Santa Maria. Traz as imagens de patriarcas e reis do antigo testamento, bem como anjos, santos e profetas;
  • Portal do Julgamento: Localizado no centro da edificação, é o maior dos três. A imagem central é a de Jesus Cristo, na posição de julgador. Ao redor do tímpano, surgem Abraão, recebendo as almas dos perdoados, e Lúcifer, recebendo as almas dos pecadores. Junto a eles, várias imagens de anjos, santas e profetas.

Nível intermediário

No nível intermediário localiza-se uma grande rosácea no melhor estilo da arte gótica. Possui um diâmetro de 13 metros e é construída em pedra e vitrais coloridos. Com elementos distribuídos em formação radial, apresenta formatos que representam pétalas e, em seu centro, a representação de Santa Maria e o menino Jesus.

Nível superior

O nível superior é marcado por duas grandes torres, cada uma com 69 metros de altura. Essa é uma característica muito marcante da arquitetura na arte gótica, pois fazem parecer que a edificação está próxima dos céus.

Os gárgulas na arte gótica

As gárgulas são, na verdade, os desaguadouros de uma edificação. Acontece que na idade média, esses elementos arquitetônicos eram ornamentados com figuras demoníacas feitas de pedra. Essas esculturas acabaram por ser conhecidas pelo nome de “gárgulas”.

Essas figuras indicavam que os demônios nunca dormiam, o que lhes exigiam uma constante vigilância até mesmo nas catedrais. Estão intimamente ligados com a arte gótica, sendo impossível não fazer uma associação entre ambos.

A arte gótica do século XIII

Podemos dizer que esse período foi o apogeu do estilo de arte gótica, em que a arte era apreciada e não mais desdenhada pelos estudiosos.

Nesse tempo, a catedral de Notre Dame, em Paris, já havia sido construída e era referência para outras construções. Já que transformou o modo de usar as abóbadas ogivais.

Elas passaram a integrar a parte externa, proporcionando mais segurança, sustentação, abertura. Com isso, o uso de vitrais coloridos que expunham imagens, assim como as esculturas, foi introduzido à decoração das igrejas.

O século XV

Esse período foi marcado como a expansão da arte gótica para além da exclusividade religiosa. Com isso, os elementos desse estilo foram parar em prédios como palácios e escolas, por exemplo.

As manifestações artísticas do gótico

Além da arquitetura, a arte gótica pode ser observada em diversos tipos de manifestações artísticas, sobretudo nas esculturas, manuscritos e pinturas. Cada uma dessas manifestações carrega elementos que as fazem destacar-se de outros estilos artísticos, apresentando características próprias, o que as fazem ter uma identidade bem definida.

Esculturas

As esculturas da arte gótica eram associadas à arquitetura e também a religiosidade. Os formatos de arco esculpiam imagens sacras e ornamentavam as fachadas das igrejas.

Mas, também surgiram estátuas independentes de obras arquitetônicas que impressionavam pelos detalhes fiéis a figura humana.

Não podemos esquecer as já citadas gárgulas, as figuras monstruosas presentes na parte exterior das construções serviam para esconder calhas e desaguadouros, são esculturas próprias da arte gótica.

Manuscritos

Ilustrações de cenas e passagens bíblicas feitas em várias etapas e por diversos artistas, entre escritores, desenhistas, artesãos, etc.

Os manuscritos eram obras exclusivas, encomendadas e serviu também para o aperfeiçoamento dos artistas góticos. Mais tarde, a técnica do tridimensional e analítica foi referencia para outros artistas e obras.

Arte gótica nas pinturas

As pinturas góticas ganharam destaque no século XIII, 50 anos após o surgimento da arte gótica na Itália.

Os principais nomes dessa fase são de Giovanni Gualteri, ou melhor, Cimabue, que recebia influências da arte bizantina e seus mosaicos, porém, com mais precisão e realidade dos traços humanos.

Outro artista a ser destacado é Giotto, aprendiz de Cimabue. Uma das suas características foi a aproximação da imagem dos santos com a dos humanos, bem como a interação entre ambos. Por isso, Giotto foi considerado precursor do renascimento.

Um estilo com identidade própria

Podemos ver que esse estilo de arte recebe referências de outros períodos artísticos, agregando com as suas próprias características de acordo com o comportamento da sociedade atual e se transforma para influenciar outros períodos da arte.

A arte gótica começou com características bem marcantes, assustadoras até, mas conseguiu ser grandiosa e única, deixando a sua marca na linha do tempo artístico.