Arte egípcia – Pintura, escultura e arquitetura

A história da arte egípcia abrange o período conhecido como “Antigo Egito”. Através das edificações remanescentes do período, bem como de artefatos encontrados por expedições arqueológicas, foi possível compreender e estudar as crenças e costumes dessa que é uma das mais antigas civilizações.

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Máscara do mortuária do faraó Tutancâmon (1341 a.C. – 1323 a.C.)

O conceito da arte egípcia

Uma das civilizações mais antigas e organizadas do mundo, os egípcios tinham regras bem especificas na estrutura de pinturas e monumentos.

A crença em divindades era o que direcionava a vida e a morte dos egípcios, bem como a sua relação com a arte. A arte egípcia, seja em construções ou objetos de mobilha, era usada como organização de classe social e política, visando retratar fatos políticos e religiosos.

A principal figura nesse contexto é o faraó: além de ser o líder político supremo, é também o representante de Deus na terra. Segundo a crença, possuía vida eterna, sendo que sua morte era apenas o início de uma nova jornada, aonde ascenderia à condição de divindade.

A arte no cotidiano dos egípcios

Além do que pode ser visto na arquitetura, decoração e esculturas, os egípcios também usavam elementos artísticos em rituais e na preparação de celebrações fúnebres, e foi assim que a sua arte se expandiu e se tornou conhecida por todo o mundo.

Quem não conhece as Pirâmides de Gizé? A esfinge enigmática ou os sarcófagos decorados? Eles imprimem a imagem dos faraós e de quem fosse importante politicamente ou socialmente naquela época, até os dias atuais.

Culto ao faraó

Uma das mais frequentes vertentes da arte egípcia era representar a altura uma das figuras mais importantes para o povo egípcio, o faraó. Foi a partir dessa adoração que surgiram obras grandiosas que perpetuam até hoje.

Além de ser um governante, o faraó era tido como representante dos deuses na terra. Sua morte não significava um fim, pelo contrário, era uma dádiva. Os egípcios acreditavam que o faraó e seus familiares podiam ressurgir depois da morte.

Por isso, criaram túmulos com simbologia voltada para que as almas desses seres importantes encontrassem o caminho do céu, além de repousarem os seus corpos em um lugar seguro para uma eventual volta.

As pirâmides egípcias

Dentre as expressões de arte egípcia na arquitetura, sem dúvidas os exemplos mais icônicos são as pirâmides. Foram construídas com mão de obra escrava, utilizando grandes blocos de pedra maciça arrastadas por vários quilômetros pelo deserto. Sua função era servir de túmulo para o faraó.

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A mais antiga das pirâmides é a do faraó Djoser, construída durante a III dinastia (entre 2630 a.C e 2611 a.C.). A pirâmide, construída como sua tumba, foi idealizada em degraus que iam do maior para o menor, debaixo até o topo.

Essa estrutura, segundo a crença, foi justificada como a forma em que o faraó iria ascender aos céus. Desde então, outras pirâmides foram construídas com esse intuito, como as famosas pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos.

A pintura no interior das tumbas

A arte egípcia foi além de estruturas arquitetônicas: as pinturas passaram a ser desenvolvidas nas paredes das tumbas, assim como em vasos de embalsamento e esculturas.

Dessa forma, surgiram as regras que caracterizam a arte egípcia e a torna diferente das demais técnicas, como a lei da “frontalidade”, por exemplo.

As características da arte egípcia

Por ser ligada diretamente a religião, a arte egípcia infligia um padrão e não permitia que os artistas criassem seu próprio estilo. Sem imaginação pessoal, a arte egípcia foi denominada como anônima.

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A intenção das pinturas ou figuras em relevo era passar o domínio da técnica, por isso, a regra principal a ser executada, no caso da figura humana, era compor o desenho do corpo sempre de frente, regra conhecida como “lei da frontalidade”.

Nessa regra, apenas o corpo teria que ser rigorosamente pintado na parte frontal, assim como os olhos. Porém, as pernas, os braços e a cabeça poderiam ser inclinados para o lado.

Outra característica da arte egípcia é tencionar que o espectador não imagine um ser real, mas sim a representação do ser. Os faraós queriam que, na sua tumba, a pintura mostrasse cenas da sua vida na terra.

Significado das cores

Na arte egípcia as cores trazem muito mais do que a beleza estética: cada uma delas possui um significado simbólico:

  • Amarelo: Presente em grande parte das obras egípcias, a cor amarela era obtida a partir de óxido de fero hidratado, e simbolizava a vida eterna. É por esse motivo que muitas das estátuas de deuses e máscaras de faraós eram confeccionada em ouro;
  • Preto: A cor preta era obtida através do carvão ou da madeira carbonizada, e simbolizava a morte ou a escuridão da noite. Em alguns casos, podia significar a fertilidade;
  • Vermelho: A simbologia da cor vermelha fazia alusão ao poder e sensualidade. É por esse motivo que era utilizada para colorir a pele das pessoas retratadas nas pinturas. Obtida a partir de ocres (argila colorida), também podia estar associada ao deus Set;
  • Azul: O azul era utilizado para simbolizar o rio Nilo e o céu. Era obtido a partir do carbonato de cobre, conhecido como azurite;
  • Verde: Simbolizava a vida e a renovação. A cor verde era obriga a partir da malaquita, um mineral de cobre encontrado na região do Sinai;
  • Branco: O branco simbolizava a pureza, frequentemente utilizado na pintura dos trajes utilizados pelos sacerdotes. Era obtido através do cal e do gesso.

As manifestações da arte egípcia

Quando se fala em arte egípcia a primeira imagem que nos vem à cabeça são as obras arquitetônicas, as pirâmides do Antigo Egito.

No entanto, ao longo dos anos, essas e outras manifestações foram se modificando, mas sem perder a sua essência. Confira agora as principais manifestações da arte egípcia, são elas:

Pinturas

Caracterizadas por um toque de baixo-relevo, as pinturas tinham ausência de sombreamento, mas usavam muito das cores como preto, branco, vermelho, amarelo, verde, azul.

Cada cor tinha um significado e a tonalidade vinha de elementos da natureza. A rigidez dos desenhos só sai um pouco do padrão no Novo Império.

Esculturas

No Médio Império (2000- 1750 A.C), as esculturas ganharam elementos de retratos, ou seja, se aproximava da aparência dos reis, bem como o seu estereótipo. Eram geralmente confeccionadas em granito, basalto, diorite, xisto, pedra calcária e alabastro.

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Escultura de Ramsés III com Hórus (deus águia) e Set (deus do caos)

As esculturas que representavam as autoridades políticas tinham características de postura que lhes conferiam imponência e poder. No Museu do Cairo podemos observar uma estátua do faraó Ramsés III sendo coroado pelo deus-falcão Hórus (do seu lado direito) e pelo deus do caos, Seth. A presença dos deuses é curiosa: segundo as crenças os dois são inimigos, entretanto, ambos estão de acordo em coroar Ramsés III, conferindo-lhe o título de senhor supremo do Egito.

As esculturas que representam pessoas comuns da época apresentam traços mais realistas, podendo ser confeccionadas também em madeira.

Arquitetura egípcia

Além das pirâmides, mencionadas anteriormente, as construções fúnebres ganharam atributos de colunas. Os hieróglifos também se somam as obras servem tanto como ornamentos como mensagem histórica. As edificações populares da época eram construídas com materiais de baixa qualidade. Por esse motivo, a grande maioria não existe mais.

A partir do período conhecido como “Reino Novo”, os faraós não utilizavam mais as pirâmides como túmulos. Ao invés disso, mandavam construir tumbas subterrâneas escavadas nos rochedos próximos, com o objetivo de evitar os saques.

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Templo mortuário de Hatshepsut

Nesse mesmo período, foram erguidas novas edificações construídas em pedras, cuja arquitetura grandiosa e imponente pode ser contemplada até os dias de hoje. Um exemplo de obra desse período é o Templo mortuário de Hatexepsute.

Construído em homenagem a Amon-Rá, o deus Sol, o Templo mortuário de Hatexepsute localiza-se nas proximidades do Vale dos Reis, região na qual foram construídas algumas tumbas para os faraós da época.

A arquitetura do templo emprega conceitos clássicos da região, apresentando enormes sacadas, solários, capelas e santuários. As enormes rampas, escadarias e colunas de sustentação conferem grandiosidade majestosa à obra.

Arte egípcia nos sarcófagos

Semelhante aos caixões, os sarcófagos protegiam o corpo dos faraós para que a múmia não fosse profanada e, dessa forma, ter a glória da vida por morte.

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A arte egípcia deixou marcas, mesmo com o enfraquecimento do poder real ao longo dos anos, e a invasão de outros povos. Com isso, não só a civilização egípcia perdeu a sua estabilidade quanto a sua arte.

Os etíopes, persas, gregos e romanos acabaram por influenciar mudanças que descaracterizaram a arte egípcia. Mas as primeiras obras ainda são capazes de nos fazer lembrar e imaginar como surgiu a verdadeira arte egípcia.