Dafne, o primeiro amor de Apolo | Mitos Gregos

Dafne, o primeiro amor de Apolo | Mitos Gregos

Dafne, na mitologia grega, era a filha do rei Peneu, além de ter sido o primeiro amor de Apolo, o deus do sol. Conheça a seguir o mito desse amor platônico.

Dafne e Apolo

Dafne, filha do rei Peneu, foi objeto do amor de Apolo. Isso não se deveu ao fado cego, mas à cólera cruel de Eros. Apolo, orgulhoso de sua vitória sobre Pitão, irritou-se ao ver Eros manuseando seu arco:

– “Queres operar façanhas de bravos, amigo? O arco é para meu ombro; posso alvejar com facilidade feras e inimigos. Fui eu quem, com incontáveis setas, abati o monstro altivo Pitão, que se desenroscava por acres e acres de terra. Contenta-te em acender os doces fogos do amor nos mortais, com tua tocha, e não tentes emular minha glória”!

Ao que lhe respondeu Eros:

– “Embora teus projéteis firam qualquer alvo, Apolo, o meu ferirá a ti. Assim como todos os animais se curvam ao teu aspecto, tua glória é inferior à minha”.

Disse e prestes voou para o cimo nevoento de Parnaso, de onde disparou duas flechas. Diferentes eram os destinos delas, pois uma, de ponta embotada, repelia o amor; a outra – dourada, brilhante e aguda – o suscitava. Eros disparou a primeira contra Dafne, a filha de Peneu ,e feriu Apolo no mais íntimo do coração com a segunda.

Dafne, a virgem que queria ser livre

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Apolo começou a amar, mas Dafne fugia só de ouvir a palavra “amante”. Companheira de Ártemis, os cabelos colhidos numa faixa, sua alegria estava no encerro das florestas e nos despojos da caça. Muitos a cortejaram, mas Dafne não cuidava de amores ou casamento e, virgem, corria as trilhas dos bosques.

Seu pai frequentemente lhe dizia: “Filha, deves-me um genro e netos”; mas Dafne, odiando a tocha do matrimônio como se fosse uma desgraça, enrubescia e beijava o pai, retrucando: “Concede-me, pai querido, ser para sempre virgem. Zeus concedeu o mesmo a Ártemis”. Peneu acatou-lhe o pedido.

Apolo apaixona-se pela bela virgem

Contudo, a beleza de Dafne não lhe permitiria nunca ser o que desejava e sua gentileza lhe contrariaria os anseios. Apolo enamorou-se dela. Logo ao vê-la, quis desposá-la. E procurou realizar tal desejo a despeito de seu próprio oráculo!

Tal como o restolho se queima após a colheita, ou uma sebe arde com a brasa lançada pelo passante descuidoso, assim o deus se inflamou na voragem do incêndio e alimentou o amor  a Dafne com uma esperança vã.

O deus grego insiste em suas investidas

Contempla o cabelo a descer-lhe desataviado pelo pescoço e murmura: “E se recebesse atavios?” Admira seus olhos faiscantes como estreias; admira seus lábios… mas só ver não basta. Gaba-lhe os dedos, as mãos, os braços e os ombros seminus; e crê ainda mais belas – as partes que se ocultam.

Ágil como o vento, Dafne foge dele e não lhe dá ouvidos quando diz:

“Fica, ninfa! Fica, filha de Peneu, imploro-te! Não sou um inimigo que te persegue. Fica! Assim foge a ovelha do lobo, a corça do leão, as pombas de asas vibrantes da águia. Cada espécie foge de seu inimigo; o amor me manda perseguir! Cuidado, não vás cair; que os espinhos não magoem essas pernas feitas para nunca se machucar e eu seja a causa do dano! Áspero é o caminho por onde cones; vai mais devagar, peço-te, e eu perseguirei no mesmo ritmo”.

Dafne foge do deus grego

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Dafne continuou fugindo do deus Apolo, que continuou tentando lhe convencer:

“Mas antes considera quem te ama. Não sou um montanhês tosco que vem para cá apascentar seu gado. Ignoras de quem queres escapar e por isso disparas. Sou o senhor de Delfos, de Claros, de Tênedos e da real Pátara; Zeus é meu pai. Desvendo o futuro, o passado e o presente; de mim brota a harmonia da lira e da canção.

Certeiras são minhas flechas, mas outra foi mais certeira ainda e feriu meu coração, antes intocado. Minha é a arte de curar e, no mundo inteiro, chamam-me o Assistente; comando o poder das ervas, mas ai!, nenhuma delas é capaz de remediar o amor! A arte que tudo cura não pode curar seu mestre”!

Falava; e Dafne fugia sempre, amedrontada. Parecia ainda mais graciosa: o vento desnudava-lhe os membros, agitando-lhe as vestes e os cabelos. Sim, era mais bela na fuga. O deus Apolo, entretanto, não toleraria proferir em vão palavras amorosas e, tomado de paixão, acelerou os passos.

A árvore de Apolo

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Esgotavam-se as forças de Dafne no afã da carreira. Já pálida, avistou então as águas do Peneu.

“Ajuda-me, pai!“, gritou, “se a tanto chega o poder de um rio. Transforma-me e destrói a beleza que tão atraente se mostrou!” Mal concluíra a prece e sentiu os membros mais pesados e hirtos; fina cortiça envolveu-lhe os seios macios; os cabelos se mudaram em folhas, os braços em galhos. Os pés, até então agilíssimos, imobilizaram-se em raízes. O rosto de Dafne era agora a copa da árvore. Só ficou a beleza.

Mesmo sob essa forma, Apolo continuou a amá-la. Pousou a mão no tronco e sentiu-lhe o coração pulsar sob a casca recente.

O amor de Apolo

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Abraçando os galhos, como se fossem membros humanos, beijou a madeira, que se encolheu ante a carícia.

“Já que não podes ser minha esposa”, sentenciou ele, “serás minha árvore. Sempre enfeitarás meus cabelos, minha lira e meu carcás. Acompanharás os generais romanos quando o jubiloso hino do triunfo for cantado e o longo cortejo subir o Capitólio. Assim como minhas juvenis madeixas nunca foram cortadas, assim serás para sempre honrada com folhas verdes!”

Apolo falou, e Dafne, em forma de loureiro assentiu, curvando a copa qual se fora uma cabeça.

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