Ártemis – Deusa da Lua e da Caça | Deusa Diana

Ártemis, também conhecida como Deusa Diana, é a protetora dos animais selvagens e considerada a deusa da lua. A seguir, tudo sobre a divindade da mitologia grega.

ártemis

A origem de Ártemis (Diana), a deusa da lua e da caça

Zeus seduziu Leto, filha do titã Ceo e da titânida Febe, e teve dela dois gêmeos. Mas Hera, que presidia aos nascimentos, queria a toda força impedir que sua rival desse à luz. Proibiu a todos os lugares da Terra oferecer-lhe asilo. E a pobre Leto vagava pelo mundo, sem ter onde parar.

Enfim uma ilha, também ela errante (na verdade um rochedo, tão desolado que nada tinha a temer), consentiu em acolhê-la. E foi ali, em Delos, sob uma palmeira, que nasceram Ártemis e Apolo. Segundo a tradição, Ártemis nasceu primeiro e ajudou no parto do irmão, desempenhando assim uma de suas funções primárias como deusa dos nascimentos, papel que divide com Hera e Ilítia.

Também em outras ocasiões vemos Ártemis estreitamente associada a Apolo: ambos aparecem como agentes temíveis de destruição, com seus projetos mortais. As mortes súbitas (sobretudo de jovens) eram muitas vezes atribuídas a essas duas divindades — Ártemis, a deusa da lua, ceifava a vida das meninas, Apolo a dos meninos.

Ártemis, Selene e Hécate

Como deusa da lua, Ártemis é às vezes estreitamente associada a Selene e Hécate. Esta última é, sem dúvida, uma deusa da fertilidade com características definitivamente ctônicas. Pode fazer a terra produzir em abundância e tem sua morada no mundo subterrâneo.

Descende dos Titãs e é mesmo prima de Ártemis. Hécate protege as estradas em geral e as encruzilhadas em particular, estas lidas como o centro das atividades fantasmagóricas, sobretudo à meia noite. Assim, a deusa desenvolveu um aspecto amedrontador; estátuas com três rostos revelam a tríplice manifestação de seu caráter como deusa da lua: Selene no céu, Artemis na terra e Hécate no reino do Hades.

Ofertas de alimentos (as “ceias de Hécate”) eram deixadas para aplacá-la, pois ela era terrível tanto pelo poder quanto pela pessoa: uma verdadeira Fúria, armada de uma tocha e acompanhada de uma matilha de cães ferozes. Sua familiaridade com as artes mágicas fê-la madrinha das feiticeiras (como Medéia) e das bruxas.

Características da deusa da lua

Quão diferente é a figura de Ártemis, a deusa da lua: jovem, vigorosa, íntegra e bela! Vestida de caçadora, está sempre pronta para a caçada, com seu arco e suas flechas; quase sempre tem ao lado um animal e, na fronte, um crescente; e a tocha que empunha traz a luz do nascimento, da vida e da fertilidade.

deusa-grega-da-lua

Quaisquer que sejam as raízes de suas conexões com a fertilidade, a imagem dominante de Ártemis é a da virgem caçadora. Ela se tornou, por assim dizer, a divindade da natureza – não em seu aspecto procriativo, mas virginal, tranquilo e primordial. Também como deusa da lua e a despeito de certos vínculos com a fecundidade, ela simboliza o frio, o branco e o casto.

Os filhos de Níobe

Um dos feitos mais famosos de Ártemis e Apolo relaciona-se a Níobe e seus filhos. As mulheres de Tebas reverenciavam grandemente Leto e seus filhos gêmeos, coroando-lhes as cabeças de louros e oferecendo-lhes incenso e preces, conforme exigência da própria deusa. Níobe, porém, irritava-se com tudo aquilo e entrou a gabar-se de que merecia mais tributos que Leto: afinal, era rica, bela e, além de rainha de Tebas, tivera sete filhos e sete filhas, enquanto a deusa só era mãe de dois.

Com efeito, Níobe tinha tanta confiança na fartura de suas bênçãos que achava poder perder algumas sem grandes consequências. Leto enfureceu-se ante tanta desmedida e, amargamente, foi queixar-se a Apolo e Ártemis. Juntas, as duas divindades baixaram ao palácio de Tebas para vingar o insulto à honra da mãe. Apolo abateu todos os sete filhos de Níobe com suas flechas infalíveis, enquanto Ártemis fazia o mesmo às filhas.

os-filhos-de-niobe-são-mortos-por-apolo-e-ártemis
Os filhos de Niobe são mortos por Apolo e Ártemis

Quando estava para alvejar a última, Níobe, em desespero, protegeu-a com o próprio corpo e implorou que ao menos aquela – a mais jovem – fosse poupada. Mas, enquanto suplicava, a deusa da lua transformou-a em pedra; um torvelinho arrebatou-a para sua terra natal, a Frígia, onde foi depositada no alto de uma montanha. As lágrimas não cessam nunca de correr por suas faces de mármore, que aos poucos vai se desgastando.

A história do caçador Acteão

Diversas histórias ilustram a castidade da deusa da lua Ártemis. Uma das mais famosas envolve Acteão, um fervoroso caçador que se perdeu na floresta e, por acaso (ou destino?), teve a desventura de surpreender Ártemis nua. Cornos de cervo cresceram-lhe na testa e seus cães se atiraram contra as carnes do dono.

Mas, se bem observados, vereis que a culpa de Acteão foi um infortúnio não um crime – pois que crime pode haver num engano inocente? Acteão estivera caçando numa montanha, e todo o solo encontrava-se manchado com sangue de animais selvagens que abatera. Era meio-dia e o Sol estava a pino.

O jovem Acteão gritou para seus companheiros que vagueavam por entre as moitas e matagais: – “Amigos, todas as nossas redes e lanças estão molhadas de sangue. Basta por hoje o que já fizemos. Amanhã recomeçaremos nossas caçadas. Agora o Sol se encontra no centro do céu e seus raios parecem rachar o solo. Vamos descansar”. Seus companheiros obedeceram e interromperam as atividades.

O vale de Gargafié, consagrado à Ártemis, a deusa da lua

Havia um vale na floresta, todo coberto de pinheiros e ciprestes pontiagudos. Denominava-se Gargafié e era consagrado à deusa Ártemis. Na extremidade oposta do vale existia uma caverna sombria, não construída especialmente, mas que a natureza fizera com que parecesse uma obra de arte, pois continha uma abóbada natural aberta na rocha primitiva.

De um lado vinha o ruído de uma fonte cintilante que borborejava da terra e formava uma piscina com margens relvosas. E nessa piscina, quando estava cansada de caçar, Ártemis costumava banhar seu corpo virginal na água transparente. Naquele dia, chegando, ela entregou a uma ninfa o venábulo, o arco e a aljava com as setas que restavam. À outra confiou o manto e a duas mais as sandálias. Outras, ainda, traziam água e esvaziavam os jarros.

Acteão adentra na gruta

o-mito-de-acteão

Enquanto Ártemis assim se banhava, como tantas vezes antes, Acteão, tendo interrompido a caçada, aproximou-se da gruta, incerto quanto ao rumo a tomar em meio ao bosque desconhecido. Desse modo, o Destino guiava. Penetrou na caverna.

As ninfas, avistando ali um homem, puseram-se a bater no peito com as mãos e encheram toda a caverna com seus gritos atemorizados. Reuniram-se em torno de Ártemis tentando encobri-Ia com os próprios corpos, mas a deusa era mais alta que todas, de modo que sua cabeça e ombros apareciam acima delas.

Postada ali nua e exposta, a deusa da lua fez as nuvens enrubescerem, e os raios oblíquos de Sol que as atravessaram eram avermelhados como a aurora. Com as ninfas à sua volta, Ártemis olhou para trás como se procurasse as flechas. Entretanto, a única arma de que dispunha era a água, e, apanhando um pouco desta nas mãos, atirou-a ao rosto e à cabeça do jovem, dizendo-lhe as seguintes palavras, que lhe prenunciavam o destino: “Agora, diz, se puderes, como me viste nua!”

Foi tudo que disse, mas, enquanto falava, Ártemis fez nascerem chifres na cabeça que ensopara com água; esticou-lhe o pescoço e tornou suas orelhas pontudas; no lugar das mãos deu-lhe cascos; transformou-lhe os braços em longas patas, e cobriu seu corpo com um couro malhado. Fez, também, com que ele ficasse amedrontado.

Castigo divino

O valente Acteão saiu em disparada fugindo da deusa da lua e, enquanto o fazia, assustou-se por estar correndo tão rápido. Quando chegou a uma lagoa e viu refletindo seu rosto modificado e os chifres na água, tentou dizer: “Ai, como sou infeliz!”, mas descobriu que não conseguia pronunciar as palavras.

Ele gemeu (era a única maneira de falar). Lágrimas lhe banharam a cara nova. Apenas o cérebro e os sentimentos mantinham-se inalterados. Que deveria fazer? Regressar ao palácio ou esconder-se nos bosques? Tinha vergonha da primeira ação e medo da segunda. Enquanto permanecia indeciso, seus cães o avistaram.

O esperto sabujo abriu a perseguição, seguindo de um galgo cretense e de outro cão, de origem espartana. Depois toda a matilha, ávida por caça, veio correndo por sobre as rochas e pelo terreno acidentado, arremessando-se através das moitas, como se surgissem do nada.

A vingança da deusa da Lua contra o caçador

Graças ao encanto de Ártemis, Acteão viu-se perseguido sobre o mesmo solo onde ele próprio tantas vezes caçara animais. Fugia dos seus cães, por ele próprio treinados, e esforçou-se por gritar: “Sou Acteão! Obedecei a vosso dono!”, mas nada conseguia dizer, enquanto o céu reboava com os latidos dos cães.

ártemis-e-acteão

Um cão chamado Negro foi o primeiro a cravar-lhe os dentes nas costas. Depois veio o Caçador e atrás dele Grandalhão que saltou em seu ombro e aí ficou dependurado. Esses haviam saído à retaguarda dos demais, porém tomaram um atalho pelas montanhas e chegaram à frente.

Enquanto agarravam-se firmemente ao dono, os outros cravaram-lhe as presas no corpo. Logo não sobrava mais espaço em sua pele para novos ferimentos. Ele gemia alto, produzindo um som que, embora não fosse propriamente humano, também não era o som emitido por um veado comum.

Ártemis (Diana), a deusa protetora dos animais selvagens

Os montes que ele tão bem conhecia ecoavam-lhe os gritos, estes ouvidos por Ártemis, a deusa da lua. Caindo de joelhos, como se orasse, alongou dolorosamente os olhos para os cães, pois não tinha braços que estender-lhes. Os caçadores, desconhecendo a realidade dos fatos, continuaram açulando os cães como sempre o faziam.

Olhavam em volta à procura de Acteão e chamavam-no em voz alta como se ele não estivesse ali mesmo. Ao ouvir seu nome, o infeliz levantou a cabeça; e todos lamentaram que Acteão não pudesse contemplar o veado moribundo. Bem gostaria ele de estar muito longe dali, de ser o espectador e não a vítima das cruéis mandíbulas de seus galgos!

No entanto, eles o rodeavam, enterrando os focinhos em sua carne, a despedaçarem o próprio dono pensando que o faziam com um veado. Só depois que, pelas incontáveis feridas, a vida se lhe escapou, pôde-se dizer que fora satisfeita a vingança de Ártemis, a deusa da lua e dos animais selvagens.

 

Continue aprendendo sobre as DEUSAS GREGAS DO OLIMPO

Gostou de conhecer Ártemis (Deusa Diana), a deusa da lua e da caça? Compartilhe!