Apolo, o Deus do Sol e da Música | Mitologia Grega

Apolo, também conhecido como deus do sol, é uma das maiores divindades da mitologia grega. É também reconhecido como o deus da música e das artes, sendo um dos mais ecléticos deuses gregos do Olimpo. A seguir, tudo sobre sua história e características.

O nascimento de Apolo

Zeus deitou-se com Leto e ela concebeu dois deuses gêmeos, Ártemis e Apolo, o deus do sol. Durante nove dias e nove noites, sob uma palmeira, Leto foi dilacerada pelas dores indizíveis do parto. Todas as deusas achavam-se na ilha. Faltava apenas Hera, que permanecia sentada no palácio de Zeus.

Também não viera Ilítia, que ameniza os partos, mas se deixara estar no alto Olimpo, acima das nuvens brilhantes – hábil rusga de Hera, que a retinha por ciúmes, já que Leto iria dar à luz um filho robusto e sem imácula.

Da ilha as deusas enviaram íris a buscar Ilítia, prometendo-lhe um belo colar de fios de ouro entrelaçados. Ordenaram-lhe que convocasse Ilítia às escondidas de Hera, com receio de que esta, com palavras a demovesse. Após ouvir a mensagem, íris partiu e, rapidamente, venceu a distância. Chegada ao Olimpo, chamou Ilítia para fora do grande salão e transmitiu-lhe as ordens das deusas. Cativou-lhe o coração e ambos partiram, num voo semelhante ao de tímidas pombas.

Surge o deus do sol

Quando Ilítia, que ameniza os partos, alcançou o solo de Delos, Leto imediatamente foi tomada de dores e quis dar logo à luz. Agarrando-se à palmeira que ali crescia, fincou os joelhos na erva tenra; e, livre do seio materno, Apolo, deus do sol, surgiu no mundo, enquanto todas as deusas gritavam de admiração.

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Foi então que as deusas banharam e envolveram o pequeno deus do sol em linho branco e o ornaram com uma faixa de ouro. Apolo não foi aleitado pela mãe; Têmis colheu para ele a flor do néctar e da deliciosa ambrosia. E Leto exultou por ter dado à luz um filho vigoroso, que sabe brandir o arco. Após consumir o alimento imortal, Apolo disse às deusas:

“Quero minha lira e meu arco recurvo. E também revelarei, em meus oráculos, os desígnios infalíveis de Zeus”.

Em seguida, cisnes sagrados riscaram o céu e voaram sete vezes ao redor da ilha. Depois, apanhando o menino, conduziram-no ao longínquo país dos Hiperbóreos, situado além das planícies onde raiva o vento Norte. Ali o céu é sempre puro e os homens vivem em perpétua inocência.

A serpente Pitão

Apolo permaneceu nesse país durante um ano, recebendo as homenagens dos habitantes, e no pico do verão voltou à Grécia. Por ordem de Zeus, o deus do sol instalou-se em Delfos, no centro da terra helênica.

Teve primeiro de matar uma serpente monstruosa que guardava, à entrada de uma gruta, um antiquíssimo oráculo. Essa serpente, chamada Pitão, foi abatida a flechadas. Mas um crime, seja ele qual for (mesmo quando um deus livra o país de um monstro cruel), é sempre um crime.

Ninguém, muito menos um deus, pode massacrar impunemente quem lhe aprouver, pois contrai assim uma mácula da qual tem de se livrar pela expiação. À guisa de multa, Apolo instituiu jogos fúnebres em honra da serpente: os famosos Jogos Píticos, cuja tradição os gregos conservaram até o fim dos tempos antigos.

Apolo Delfínio

Apolo fundou o seu oráculo em Crisa, ao pé do nevado Parnaso. Ali ergueu o templo. Depois o deus do sol ocupou-se em recrutar os encarregados do serviço. Avistou um navio tripulado por cretenses de Cnosso, que ia de veia para a arenosa Pilo. Apolo transformou-se em delfim e saltou para bordo.

A princípio os marinheiros tentaram devolver o monstro ao mar, mas tamanho foi o tumulto por ele criado que desistiram. Tangido por um vento divino, o barco resistia aos esforços da tripulação para conduzi-lo à terra. Finalmente, após uma longa navegação, Apolo os levou até Crisa, onde saltou para a praia e revelou sua identidade, em meio a um feérico esplendor.

O deus do sol ordenou aos cretenses que fizessem sacrifícios e o louvassem sob o nome de Apolo Delfínio. Conduziu-os ao santuário e ali acompanhou, ao som da lira, o peã que entoavam em seu louvor. O hino termina com a promessa de prestígio e riqueza futura para o santuário, doravante a cargo dos cretenses.

O Templo de Apolo em Delfos

O recinto sagrado foi construído nas encostas baixas do monte Parnaso, cerca de setecentos metros acima do Golfo de Corinto. O santuário de Delfos era, principalmente, um oraculo.

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Santuário de Apolo nos dias atuais

Gente de todo o mundo grego (o mesmo de além-fronteiras) vinha apresentar a Apolo perguntas dos mais variados tipos, de caráter pessoal ou político. A Pítia (profetisa de Apolo) murmurava as respostas do deus do sol sentada solenemente na trípode, uma espécie de bacia sustentada por três pés.

A trípode era um objeto de uso cotidiano e variado, podendo-se acender o fogo por baixo ou dentro do recipiente. Em Delfos, esse utensílio era ao mesmo tempo símbolo e fonte de poder profético. A cerâmica antiga, ocasionalmente, nos mostra o próprio Apolo sentado na trípode; a seu lado e na mesma posição, a Pítia faz as vezes de seu porta-voz.

Num frenesi de inspiração, ela profere suas palavras incoerentes, que um padre ou profeta logo transcreve em prosa ou verso inteligível (em geral, hexâmetros dactílicos), a ser comunicado ao consulente.

Tradições do templo

O consulente que vinha ao templo com sua pergunta ao deus do sol devia passar por uma série de cerimônias prescritas, que lembravam o pagamento de uma taxa. Primeiro, oferecia um caro bolo sagrado no altar exterior; e, uma vez dentro, pedia-se-lhe que sacrificasse um carneiro ou bode, parte do qual ia para os délfios. Depois dessas preliminares, já podia penetrar no santo dos santos, onde se sentava.

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Templo de apolo na era mitológica

O sumo sacerdote ou profeta transmitia a pergunta à Pítia (que devia ficar numa área separada do consulente) e interpretava a resposta. Em tempos recuados, segundo a tradição, a Pítia era uma jovem virgem. Certa feita, um consulente se apaixonou por ela e seduziu-a. Daí por diante, só mulheres maduras (talvez de mais de cinquenta anos) se tornavam sacerdotisas.

As sacerdotisas do deus do sol

Qualquer que houvesse sido sua vida anterior (podiam ter sido casadas), a pureza era uma exigência depois que passassem a servir ao deus do sol em caráter vitalício. Às vezes, uma de pelo menos três mulheres era convocada para o serviço, havendo provavelmente mais de reserva. “Pítia” é o título específico dado à sacerdotisa de Apolo em Delfos.

Um termo mais genérico para profetisa era sibila. Havia muitas delas, em diversos lugares e vários períodos da história antiga. Na origem, tal título devia ser o nome próprio de uma velha profetisa.

As paixões de Apolo

Cassandra, filha de Príamo e figura patética na saga troiana, foi uma das paixões de Apolo. Como aceitasse a corte do deus, este lhe concedeu o dom da profecia. Mas Cassandra logo mudou de ideia e repeliu-o, de modo que o deus do sol, sem despojá-la do dom, condenou-a a profetizar em vão: ninguém jamais acreditaria nela.

Apolo tentou também conquistar Marpessa, filha de Eveno, filho de Ares. Mas Idas, um dos Argonautas, raptou-a em sua carruagem, para indignação do pai. Este perseguiu sem sucesso o casal e, desesperado, acabou por suicidar-se. Mais tarde Apolo roubou Marpessa de Idas, recorrendo ao mesmo expediente que este adotara. Por fim os dois rivais se encontraram face a face, mas Zeus interveio e determinou que Marpessa escolhesse seu amante.

O mais humano dos deuses gregos

Marpessa preferiu o mortal Idas ao deus do sol, pois temia ser abandonada pelo belo e sempre jovem Apolo quando envelhecesse. Quase todos os casos amorosos de Apolo são trágicos. Ele é, talvez, o mais tocantemente humano e terrivelmente sublime de todos os deuses gregos.

Exceção notável foi seu êxito com Cirene, uma ninfa atlética de quem se enamorou quando ela lutava com um leão. Levou-a para a Líbia em seu cano dourado, para o próprio sítio da cidade que receberia seu nome. Cirene lhe deu um filho, Aristeu.

 

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