Dionísio (Baco) – Deus do Vinho e do Êxtase | Mitologia Grega

Segundo a mitologia grega, Dionísio (também conhecido como Baco) é o deus do vinho, da alegria e do êxtase. Conheça a seguir o mito grego.

dionísio-o-deus-do-vinho

A origem do deus do vinho (Baco)

Disfarçado de mortal, Zeus estava tendo um caso amoroso com Sêmele, filha de Cadmo e Harmonia. Quando Hera descobriu, enciumou-se. Apareceu a Sêmele sob os traços de uma velha e convenceu a rival a pedir ao amante que se apresentasse em toda a magnificência de sua divindade, em meio a raios e relâmpagos. Zeus a princípio recusou, pois era um desejo absurdo.

Mas Sêmele insistiu e ele teve de ceder. Quando a jovem o viu todo revestido de poder e empunhando os atributos sagrados, caiu fulminada. Acaso uma mortal pode lobrigar impunemente os mistérios divinos?

Zeus protege seu filho de Hera

Quando morreu, Sêmele ainda não dera à luz Dionísio (Baco). Zeus, porém, queria salvar o filho e costurou-o no interior de sua coxa, para que ele ali aguardasse o momento de nascer. Informada do caso, Hera roeu-se de ciúmes e jurou prejudicar o menino tanto quanto pudesse. Foi então um nunca acabar de artimanhas, Hera querendo liquidar Dionísio, Zeus tentando salvá-lo. A princípio, o deus julgou ter encontrado um meio de proteger o filho.

deus-do-vinho

Confiou-o a Atamas, rei de Orcômeno (cidade perto de Tebas), e ordenou-lhe que vestisse Dionísio de mulher, para despistar Hera. Mas a deusa, bem mais arguta, não se deixou embair. Para começar, fez todos os que cuidavam do menino enlouquecer. Receoso, Zeus levou-o para bem longe, para o país de Nisa, que segundo se diz era vizinho da Etiópia (mas ninguém jamais soube ao certo onde se localizava). E, para cúmulo de precaução, transformou o pequeno deus do vinho em bode. As ninfas se encarregaram de criá-lo.

Dionísio faz-se reconhecido como um deus

Viveu em segurança enquanto permaneceu naquele país remoto, mas, uma vez adulto, descobriu o uso da vinha e quis partilhar esse benefício com o mundo. Hera, furiosa por ter sido ludibriada todo esse tempo, fê-lo enlouquecer, de sorte que Dionísio passou a errar pela Ásia inteira, até o dia em que a deusa Cibele – outro nome de Reia, esposa de Cronos e mãe dos primeiros olímpicos – o acolheu.

Curado, Dionísio deu por findo seu período de provação. Hera já nada podia contra ele. Foi então que decidiu fazer-se reconhecido como deus por todos os mortais e instalar oficialmente seu culto.

Dionísio e Licurgo, o rei da Trácia

Passando para a Europa, apertou à Trácia, onde reinava Licurgo. Este não simpatizou nada com Dionísio, que considerava o deus do vinho incômodo, perigoso por causa de sua bebida embriagadora. Por isso, planejou prendê-lo. Dionísio, contudo, escapou e refugiou-se no mar, junto à deusa Tétis.

baco

O rei só pôde deitar mão às companheiras do fugitivo, as Bacantes, que são suas sacerdotisas. Mas os poderes divinos de Dionísio libertaram as Bacantes e enlouqueceram Licurgo. Acreditando derribar as parreiras, que via por toda parte, acabou cortando a própria perna e mutilando um de seus filhos. Os súditos, apavorados, interrogaram o oráculo, que lhes revelou o crime do rei e aconselhou-os a condená-lo à morte. Isso eles fizeram, esquartejando-o.

O deus do vinho chega a Índia

Da Trácia, Dionísio alcançou a Índia, que submeteu a seu culto. Essa conquista foi uma verdadeira marcha triunfal. O deus do vinho avançava numa carruagem puxada por panteras ou tigres, coroado de pâmpanos e hera – pois a hera, com suas folhas denteadas e suas bagas pretas, lembra muito o pâmpano.

Atrás seguia o bando buliçoso dos Sátiros, Bacantes e Silenos, todos de taça em punho, bebendo à farta.

A viagem à Ilha de Naxos

Certa feita, Dionísio resolveu visitar a ilha de Naxos, e para tanto contratou os serviços de uma equipagem de piratas. Estes fingiram aceitar o pagamento, mas, já em alto-mar, aproaram para a Ásia, na esperança de vender o viajante como escravo. O deus do vinho não tardou a aperceber-se de tudo: com seus encantamentos, transformou os remos em serpentes e atulhou o barco de hera.

estátua-de-dionísio

O mar logo ficou cheio de sarmentos, que impediam toda navegação; sons de flauta e tomboril retiniram, sem que se avistassem os músicos. Os piratas ficaram assustados e, num salve-se-quem-puder geral, precipitaram-se às ondas, onde acabaram metamorfoseados em delfins. Não é de espantar que, face a essas manifestações de poder, todos os homens reconhecessem a divindade de Dionísio e de boa vontade o cultuassem.

Características do culto a Dionísio

Os traços essenciais da religião atribuída a Dionísio são: o desprendimento extático por meio da música e da dança; a possessão dos fiéis pelo deus do vinho; o dilaceração do animal sacrificial e a ingestão de carne crua (“omofagia”, espécie de comunhão, uma vez que se acreditava estar o deus presente na vítima).

A Congregação religiosa, o “tíaso”, dividia-se em grupos, frequentemente com um homem na chefia, o qual desempenhava o papel do deus. As Bacantes ou Mênades são as mulheres devotas, que experimentavam a possessão. Na mitologia grega, aparecem como criaturas mais que humanas, antes ninfas que mortais.

Seus congêneres masculinos são os Sátiros, igualmente espíritos da natureza. Mas eles não têm uma natureza humana completa, sendo parte homens, parte animais, com atributos de cavalo ou bode – cauda e orelhas de cavalo, chifres e barba de bode (apesar de, na arte posterior, apresentarem caráter mais acentuadamente humano).

Os sátiros, seguidores do deus do vinho

Os Sátiros dançam, cantam e amam a música; fabricam e bebem vinho, estando em perpétuo estado de excitação sexual. Um de seus esportes favoritos é a caça às Mênades através dos bosques. Guirlandas e peles de animal constituem os atributos tradicionais dos adeptos de Dionísio (embora os Sátiros estejam quase sempre nus).

deus-baco
Dionísio era o deus das festas e êxtase

As Mênades, em particular, carregam o tirso, uma haste envolta em hera ou folhas de louro e afiada na ponta para receber uma pinha. E um instrumento milagroso – mas que pode, conforme a situação, transformar-se em arma mortal. Também os Silenos seguiam o deus do vinho. Nem sempre é possível distingui-los dos Sátiros; alguns são mais velhos e até mais lascivos.

Há, porém, os velhos e sábios, como o Sileno propriamente dito, tutor de Dionísio. Conta-se que, certa feita, um deles ficou embriagado ao misturar vinho à água de uma fonte; levado à presença do rei Midas, esse sileno pôs-se a filosofar dizendo que o melhor destino para o homem era não ter nascido e, em segundo lugar, ter morrido logo ao nascer – exemplo típico do pessimismo grego.

Características de Dionísio

Na qualidade de deus masculino da vegetação, Dionísio estava obviamente associado a uma deusa da fertilidade: sua mãe, Sêmele, era uma divindade ctôníca de pleno direito, antes de ser helenizada. A história do nascimento de Zeus em Creta, com as amas que lhe abafavam os vagidos ao som de música frenética, sugere contaminação do ritual dionisíaco.

O “casamento” de Dionísio com Ariadne, quando a acolheu depois de ela ter sido abandonada na ilha de Naxos por Teseu, não só fornece um exemplo da união das energias masculina e feminina da vegetação como ilustra, alegoricamente, seus poderes de redenção.

Dionísio representa a seiva da vida, o fluxo do sangue nas veias, o acicate e o mistério do sexo: é, pois, o deus do vinho, do êxtase e do misticismo. Dionísio, contudo, é também um deus da paz e da alegria.

Icário, Erígone e o deus do vinho

Na Ática, ao tempo do rei Pandião, um homem chamado Icário acolheu o deus do vinho bem e recebeu, em recompensa, o dom do vinho. Mas quando as pessoas sentiram pela primeira vez os efeitos dessa bênção, pensaram ter sido envenenadas e deram cabo de Icário.

Erígone, sua devotada filha, procurava o pai por toda parte, seguida de seu cão Maira. Encontrando-o morto, enforcou-se de dor. O sofrimento e a peste caíram sobre o povo, até que, a conselho de Apolo, os habitantes estabeleceram um festival em honra de Icário e Erígone.

 

Continue aprendendo sobre os DEUSES GREGOS DO OLIMPO

Gostou de conhecer o mito de Dionísio (Baco), o deus do vinho? Compartilhe!