Hades, o imperador do Submundo | Deus Plutão

Na mitologia grega, Hades é o deus do Submundo, o reino dos mortos. Conhecido como o mais temido dos deuses gregos, Hades é filho de Zeus e Reia. Após a vitória na batalha contra Cronos, foi designado para governar o Tártaro, sendo o único dos deuses que não mora no Olimpo.

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Utiliza-se de um capacete de batalha confeccionado por Hefesto. Tal capacete possui poderes misteriosos, que o permitem tornar-se invisível.

Quem foi Hades na mitologia grega

Hades, rei do Mundo Subterrâneo, é também chamado de Plutão (em latim) e Dis, que significa “rico”, numa alusão quer ao seu papel de propiciador telúrico da fertilidade ou de deus que “recebe inúmeros hóspedes”.

Os romanos chamavam-no, bem como a seu reino, de Orco, que quer dizer provavelmente “aquele [ou o lugar] que confina”. Não raro Hades (“o invisível”) deixa de ser nomeado ou recebe algum epíteto eufemístico, como se costuma fazer com as divindades ou espíritos malignos (o diabo, por exemplo).

Tanto Hades quanto seu reino e seus habitantes são frequentemente considerados etonianos, isto é, da terra, em contraste com o mundo brilhante dos deuses olímpicos que vivem na atmosfera superior. Aliás, o próprio Hades pode ser invocado como Zeus Ctônico. Sua rainha é Perséfone (Prosérpina).

O Mundo Subterrâneo

Segundo a mitologia grega, para chegar ao reino de Hades, é preciso atravessar todo o oceano.

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É necessário proceder a alguma identificação e esclarecimento dos vários nomes e terminologia associados ao Mundo Subterrâneo. O reino, como um todo, pode ser chamado de Tártaro ou Érebo, embora esses sejam também os nomes atribuídos unicamente ao lugar de tormentos, em oposição ao Elíseo, ou Campos Elíseos.

Às vezes, o reino paradisíaco se localiza algures, em algum sítio remoto do mundo superior como as Ilhas dos Bem-aventurados.

Os três juízes de Hades no submundo

Tradicionalmente, são três os juízes do Mundo Subterrâneo que servem ao deus Hades: Minos, Radamanto e Éaco, que têm deveres variados.

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Éaco, Radamanto e Minos: os juízes do Tártaro

Radamanto

Radamanto é filho de Zeus e Europa. Foi expulso de Creta por seu irmão Minos, pois sentia-se incomodado com sua popularidade. Após sua morte, foi chamado por Hades para tornar-se um dos juízes do Inferno, pois Radamanto era reconhecidamente justo e sábio. No Tártaro, é responsável por julgar as almas oriundas da Ásia.

Minos

Após expulsar seu irmão Radamanto, Minos tornou-se o rei de Creta. Ao procurar Dédalo, com o intuito de assassiná-lo, Minos chegou ao palácio do rei Cócalo, na Sicília. Entretanto, o rei gostava de Dédalo e, ao saber dos planos de Minos, acabou assassinando-o. Após sua morte, tornou-se um dos três juízes de Hades, sendo o responsável pelo veredito final da sentença.

Éaco

Éaco é meio irmão de Radamanto e Minos, sendo filho de Zeus e Egina. Casou-se com Endeis, com a qual teve dois filhos. Foi rei da ilha de Egina, onde era venerado por sua sabedoria e senso de justiça.

Teve um terceiro filho com Psâmete, chamado Foco. Entretanto, seus dois primeiros filhos, enciumados, resolveram assassiná-lo. Éaco era tão justo que decidiu exilá-los como punição. Após sua morte, os deuses, que sempre o admiraram por suas qualidades, convidaram-no à juntar-se a Radamantos e Minos para ser o terceiro juiz de Hades no Tártaro. No tribunal, era o responsável por julgar as almas oriundas do Ocidente.

Os rios do Tártaro

Os rios são em geral cinco, com nomes bastante apropriados: Estige (rio do ódio), Aqueronte (da aflição), Letes (do esquecimento), Cocito (do gemido) e Flegetonte ou Piriflegetonte (do fogo).

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Caronte, o barqueiro infernal

No âmbito dos conceitos religiosos e filosóficos sobre a vida de além-túmulo e a crença na transmigração das almas (como também no renascimento), o Rio do Esquecimento, Letes, assume grande importância. Era costume sepultar os mortos com uma moeda na boca, para pagar a passagem ao barqueiro Caronte.

Alguns habitantes do submundo de Hades

Hermes Psicopompo (condutor de almas) desempenha frequentemente o papel de guiar os mortos no caminho deste para o outro mundo. O cão feroz, Cérbero, quase sempre descrito com três cabeças, vigia a entrada do reino tenebroso.

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Cérbero, o cão de guarda do Tártaro

No reino de Hades, também encontraremos nosso céu (Elíseo) ou nosso inferno (Tártaro). A tradição desenvolveu um cânone de pecadores mitológicos que ali sofrem para todo o sempre.

Títio, com abutres a devorar-lhe o fígado; Ixião, atado a uma roda em giro perpétuo; as Danaides, tentando em vão carregar água em vasos que escorrem; Sísifo, que rola sua pedra até o alto de uma montanha, só para vê-Ia em seguida despencar; e Tântalo, “tantalizado” pela água e o alimento.

As Erínias (Fúrias)

As Erínias (Fúrias) têm quase sempre sua morada junto a Hades. Sucede o mesmo a Hécate, que às vezes se assemelha a elas na aparência ou no caráter. Hesíodo, conta que as Fúrias nasceram do sangue pingado na terra após a castração de Urano; segundo outros, são prole da Noite.

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Ambas as versões parecem adequadas no que diz respeito à esfera de seus poderes. Elas variam em número, mas podem ser reduzidas a três, com nomes específicos: Tisífone, Megara e Alecto.

As vingadoras do crime

Na literatura e na arte, as Erínias de Hades mostram-se formidáveis, eriçadas de serpente nas mãos ou nos cabelos e empunhando tochas ou açoites. São as vingadoras impiedosas e justas do crime, especialmente o assassinato; a culpa de sangue em família é o seu domínio particular e podem perseguir incansavelmente aquele que matou o pai, a mãe ou um parente próximo.

Cogitou-se que tenham sido originalmente os fantasmas dos assassinados em busca de vingança ou a encarnação das maldições lançadas sobre o criminoso. As Erínias de Hades, em definitivo, representam a velha ordem moral da justiça no quadro da sociedade primitiva, onde o código do “olho por olho, dente por dente” é aplicado mediante a vendetta pessoal da família ou do clã. Essa é a concepção de Ésquilo em sua trilogia dramática, a Orestia.

O conceito de Satã

O conceito cristão de Satã não deve ser confundido com o antigo retrato de Hades, que não desafia seu irmão Zeus para ganhar nossas almas imortais. Todos acabamos em seu reino, onde encontramos o paraíso ou o inferno.

As únicas exceções são aquelas que, como Héracles, tornam-se explicitamente divindades e conquistam assim o direito de viver entre os deuses no céu ou no Olimpo. Hades, sem dúvida, parece aterrorizante e de uma severidade inexorável, mas em si mesmo não é mau nem se dedica a atormentar-nos.

Apenas o tememos como tememos a morte e suas possíveis consequências, que não nos é possível evitar. Mas ele conta com assistentes, por exemplo as Fúrias, que infligem tormentos diabólicos e cruéis.

O reino de Hades na literatura

A profundidade e a intensidade das visões gregas e romanas da vida de além-túmulo influenciaram muito a arte e a literatura das civilizações ocidentais. O grande poeta italiano Dante Alighieri aí se abeberou à farta, mesclando esses conceitos com a imaginação e os dogmas cristãos enquanto se fazia guiar por Virgílio.

Mas seria enganoso deduzir que toda a literatura grega ou latina encara o reino de Hades e o além com a mesma seriedade. Vale lembrar aqui a comédia As Rãs, de Aristófanes, na qual o deus Dionísio rema pelas águas do Estige ao som de um coro que coaxa. Seu passeio pelo Mundo Subterrâneo é bem diferente do de Enéias e às vezes hilariante.

 

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