Hermes, deus da mitologia grega | Deus Mercúrio

Na mitologia grega, o deus Hermes (também conhecido como deus Mercúrio) é considerado o deus das riquezas. A seguir, a biografia do deus grego.

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Origem do deus Hermes (deus Mercúrio)

Filho de Zeus e de Maia, a mais jovem das Plêades, Hermes (Mercúrio) veio ao mundo numa caverna do monte Cilene, na Arcádia. Sua mãe o enfaixou bem, como era costume, e colocou-o num berço. Hermes, à força de mexer-se, acabou se libertando e saiu para o mundo.

Nas imediações da caverna, o deus Hermes encontrou uma tartaruga, que lhe havia de proporcionar gozos sem número: ele foi o primeiro a fabricar um instrumento de música com a carapaça do animal, que trincava a passo tardo a erva florida, diante da porta do pátio.

A lira divina

O filho de Zeus, agarrando-a com ambas as mãos, regressou a casa com o amável brinquedo. Com uma ferramenta, cortou a tartaruga e arrancou-lhe a substância viva. Qual pensamento que atravessa a mente de um homem assoberbado de zelos, ou brilho despedido pelo olhar, assim Hermes meditava ao mesmo tempo palavras e atos. Cortou hastes de caniço na medida certa e fixou-as, varando o casco da tartaruga.

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Representação de lira divina de Hermes

Em seguida, com inteligência toda sua, estendeu sobre ele um pedaço de couro de boi, aplicou ao conjunto dois braços unidos por uma trave e estirou sete cordas harmoniosas feitas de tripa de carneiro. Depois de haver, tão rapidamente, fabricado o mavioso instrumento, experimentou as cordas uma a uma: sob seus dedos, a cítara emitiu um som inigualável. O deus com bonita voz ia acompanhando os acordes.

Mas ele tinha outros projetos em mente. Correu a guardar em seu berço sagrado a côncava lira. Faminto, saiu da sala alimentando no espírito uma sutil artimanha, como fazem os ladrões no escuro da noite.

Deus Hermes rouba o gado de Apolo

Atravessando toda a Grécia, o deus Hermes chegou a Feras, na Tessália, onde as vacas imortais dos deuses têm seus estábulos e suas deleitosas pradarias, imunes à foice. Foi ali que, aproveitando-se de um momento de distração de Apolo, roubou parte do gado que este apascentava: ao todo, doze vacas, cem novilhas e um touro.

Em seguida, conduziu-os para Piles ao longo de um terreno arenoso, invertendo-lhes as pegadas. De fato, pôs em prática seus talentos argutos ao inverter a marca dos cascos: os da frente para trás, os de trás para frente, enquanto ele próprio marchava em sentido contrário.

Atirou fora as sandálias que usava e calçou outras – estranhas, inimagináveis -, feitas de ramos de tamariz e uma espécie de mirto, trabalho verdadeiramente prodigioso. Pôde então caminhar confortavelmente, com essas rápidas sandálias feitas de folhas. Eis como o deus Hermes escapou à fadiga da jornada, ao sair de Feras, pois ia empreendê-la com meios inteiramente próprios.

Hermes (Mercúrio) encontra o velho Bato

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Hermes cruzou inúmeras montanhas tenebrosas, vales sonoros e planícies floridas. O velho Bato, que cuidava de sua vinha em flor, avistou-o quando atravessava a planície verdejante de Onquesto, em Pilos. Disse-lhe logo o filho de Zeus:

– “O ancião que tratas de tuas plantas curvando as costas, daí tirarás sem dúvida vinho em abundância. Mas não vejas nada, não escutes nada e não digas nada, para que não venhas a arrepender-te”.

Tendo isso dito, voltou a tanger por diante de si os animais roubados.

O primeiro a obter fogo

A noite, com suas sombras propícias, encerrava seu curso e logo surgiria a aurora. A lua divina subira a seu observatório celeste quando o valoroso filho de Zeus impeliu para o rio Alfeu o gado pertencente a Apolo. Essas bestas indomadas chegaram a um elevado estábulo e acharam bebedouros na orla de uma pradaria magnífica.

Finalmente, depois que o rebanho se saciou de tenra erva, Hermes o fez entrar para o estábulo. Em seguida, juntou lenha e investigou a arte do fogo. Apanhou um belo ramo de loureiro e, segurando-o firme, fê-lo girar sobre uma acha de romãzeira; um sopro quente exalou-se. Foi o deus Hermes o primeiro que conseguiu obter fogo e que divulgou esse segredo.

Preparação do banquete

Num buraco cavado na terra, meteu boa quantidade de lenha seca. O fogo crepitava e lançava ao longe o hálito do braseiro ardente. Hermes arrastou para fora duas vacas mugidoras, pois era muito forte.

Golpeou-as no cachaço e derribou-as por terra, expirantes. Passando de um trabalho a outro, retirou-lhes as carnes gordas, enfiou-as em espetos, assando ao mesmo tempo a carne, o espinhaço – porção de honra – e as entranhas repletas de sangue. Tudo isso ficou no lugar; quanto aos couros, estendeu-os sobre uma pedra seca.

Em seguida o deus Hermes retirou do fogo a bela obra de suas mãos e, sobre uma grande pedra chata, repartiu a carne em doze porções, que tirou à sorte, mas atribuindo a cada uma o valor de uma homenagem especial.

Deus Hermes se banqueteia

Então Hermes quis degustar as carnes consagradas, pois, imortal que era, ainda assim o aroma agradável o perturbava. Entretanto, malgrado a força do desejo, não logrou em seu coração generoso decidir-se a engoli-las com sua garganta sagrada.

Depositou primeiro as carnes abundantes e gordas no alto estábulo, depois suspendeu-as para comemorar o roubo que acabara de perpetrar. Juntando lenha seca, assou os pés e as cabeças das vacas. Cumpridos os ritos devidos, o deus da riqueza lançou suas sandálias no turbilhão profundo do Alfeu, apagou as brasas e passou o resto da noite a cobrir com areia as cinzas.

De volta ao Cilene

De manhã, voltou aos cimos divinos do Cilene, sem encontrar ninguém durante a longa jornada – deuses ou mortais – ou sequer cães ladradores. Hermes esgueirou-se para dentro da sala qual brisa de outono ou névoa. Dirigiu-se ao altar opulento do antro, em passo silencioso: seus pés não levantavam rumor, como acontece quando se calca o chão.

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Ligeiro, Hermes alcançou o berço e, lançando sobre si um lençol, como se fora um bebê, pôs-se a dormir, acariciando as faixas que lhe prendiam os jarretes e tendo sempre ao lado esquerdo o casco da amável tartaruga. Enquanto isso, Apolo procurava por toda parte os animais desaparecidos. Vagando pela Grécia, foi ter a Pilos, onde o velho Bato revelou-lhe o nome do ladrão e o local onde se encontrava o butim.

Apolo foi queixar-se a Maia das malfeitorias de seu filho. E Maia, que pensava ter deixado a criança solidamente enfaixada no berço, perguntou em altos brados como alguém podia proferir semelhantes acusações.

Hermes, deus mensageiro e do comércio

Apolo dirigiu-se então ao próprio Zeus, o qual, menos crédulo que Maia, ordenou a um relutante Hermes que devolvesse o produto do roubo. No entanto Apolo, que vira a lira e logo compreendera as vantagens do instrumento, consentiu em trocá-la pelo gado.

Assim foi que a lira se tornou um dos principais atributos de Apolo, embora tenha sido inventada pelo engenhoso Hermes. A aventura chegou aos ouvidos de Zeus, que ficou encantado com a habilidade do novo rebento. Nomeou-o uma espécie de arauto particular, encarregando-o de transmitir suas ordens ao mundo e de escoltar os mortos aos Infernos.

O deus Hermes (Mercúrio) devia também presidir às trocas comerciais e às viagens longínquas, bem como proteger com sua imagem as encruzilhadas.

 

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