Os Doze Trabalhos de Hércules – Mitologia Grega

Os Doze Trabalhos de Hércules – Mitologia Grega

Na mitologia grega, Hércules é considerado um semideus. Filho de Zeus e Alcmena (uma mortal), passou toda a infância e adolescência sendo perseguido por Hera, esposa de Zeus, que nutria ciúmes fora do comum. Em diversas ocasiões Hera tentou matar o pequeno enteado, porém, nunca obteve êxito.

Como não conseguia tirar-lhe a vida, Hera fez com que Hércules permanecesse sob o comando de Euristeu, rei de Micenas, e que lhe obedecesse no que fosse solicitado. Aproveitando-se disso, Euristeu passou a solicitar que o filho de Zeus executasse tarefas sobre-humanas, que ficariam conhecidas como “Os doze trabalhos de Hércules”. Descreveremos a seguir cada um deles.

1° Trabalho de Hércules: O Leão de Neméia

Hércules recebeu ordem de levar a pele desse animal bravio. A fera, mais temível ainda que a do Citerão, tinha origem divina: descendia de Tifão, o gigante que outrora reduzira Zeus à impotência.

A própria Hera o criara, soltando-a depois na região de Neméia, onde passara a talar aldeias e apriscos. Esse leão era invulnerável. As flechas do herói resvalavam em seu pelo, sem conseguir penetrá-lo. Hércules precisou recorrer ao corpo-a-corpo, e, com suas mãos possantes, estrangulou-o.

Em seguida, quis despojá-lo, mas lâminas de ferro não podiam cortar aquele couro. Hércules teve então a ideia de esfolar o animal com as próprias ganas dele. Vestiu depois a pele, cuja cabeça lhe servia de elmo.

Euristeu sentiu muito medo quando viu o herói chegar trajado daquela maneira e proibiu-o de entrar doravante em Micenas. Deveria depositar seu butim diante das portas da cidade.

2° Trabalho: A Hidra de Lerna

Essa espécie de serpente vivia nos pântanos de Lerna, perto de Argos. Tinha nove cabeças, das quais oito eram mortais e a outra imortal. Toda vez que Hércules esmagava uma delas com a clava, duas outras cresciam em seu lugar. O trabalho era dificultado ainda mais por um caranguejo que Hera mandara em auxílio da Hidra.

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O herói matou primeiro este monstro e depois a Hidra, com a ajuda de seu sobrinho Iolau, filho de Ificles. Quando Hércules removia uma cabeça, Iolau cauterizava a ferida com uma tocha, para que nenhuma outra crescesse. Hércules sepultou a cabeça imortal sob uma rocha e em seguida embebeu suas setas no veneno da Hidra. Quanto ao caranguejo, Hera o recolheu e transformou na constelação de Câncer.

3° Trabalho de Hércules: A Corça de Cerínia

Esse animal fora consagrado a Ártemis pela ninfa Taígete, tinha chifres dourados e era maior que um touro. Suas quatro irmãs pertenciam a Ártemis, que costumava atrelá-las a sua carruagem. A corça de Cerínia era, pois, um animal sagrado, não se podendo tocá-la e muito menos matá-la.

No entanto, Hércules tinha de obedecer. Um ano inteiro perseguiu-a na montanha, sem nunca conseguir deitar-lhe mão. Por fim ela se cansou e Hércules logrou feri-Ia ligeiramente com uma flecha. Pôde assim aproximar-se e capturá-la sem dificuldade.

Mas eis que Ártemis e Apolo se interpuseram em seu caminho e reclamaram o que era deles. Hércules ponderou ser apenas o servidor de Euristeu, de sorte que a impiedade cabia a quem mandava e não a quem obedecia. As duas divindades, simpáticas ao herói, perdoaram-no. E lá se foi Hércules com a corça aos ombros.

4° Trabalho: O Javali de Erimanto

Esse animal destrutivo tinha de ser capturado vivo no monte Erimanto. Achava Ruristeu que matá-lo seria coisa fácil demais, pois o bicho não tinha nenhum poder miraculoso. Era um javali como qualquer outro, apenas mais forte e de talhe considerável.

Hércules, uma vez mais, precisou recorrer a um estratagema. Aguardou o inverno e, num dia de nevasca, atraiu com seus gritos o animal para fora da toca. A fera, no meio da neve, não tardou a cansar-se, de sorte que foi possível capturá-la.

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Hércules pô-la aos ombros e regressou a Micenas. Nunca as pernas de Euristeu tremeram tanto: imagine-se o que deve ter sentido, em presença de um javali vivo, o homem que temia um leão morto. De um salto, foi esconder-se no fundo do maior jarro existente em seu celeiro e lá ficou até lhe assegurarem que o primo já partira.

5° Trabalho de Hércules: Os Estábulos de Áugias

Áugias, filho de Hélio (o Sol) e rei de Elis, tinha grandes rebanhos de gado, mas nunca limpara seus estábulos. Hércules foi encarregado por Euristeu de executar essa tarefa e o fez com sucesso, desviando os cursos dos rios Alfeu e Peneu para os estábulos.

Augias concordara em dar-lhe um décimo de seu gado, mas depois não quis cumprir a promessa e expulsou tanto Hércules quanto seu próprio filho Fileu, que tomara as dores do herói.

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Hércules foi recebido por um príncipe da região, Dexâmeno (cujo nome significa mesmo “o que recebe”), e salvou-lhe a filha da sanha do centauro Euritião. Depois de encerrar seus trabalhos, Hércules voltou a Elis à testa de um exército, tomou a cidade e matou Augias, em cujo trono instalou Fileu.

Foi depois dessa expedição que o herói teria instituído os jogos Olímpicos, o maior dos festivais gregos, realizado a cada quatro anos em honra de Zeus. Ele demarcou o estádio com as próprias passadas e trouxe da terra dos hiperbóreos uma oliveira que deveria ser uma sombra para o recinto sagrado e uma coroa de glória para os homens.

É que nessa época não existiam árvores em Olímpia e nos jogos os vencedores recebiam por prêmio uma coroa de folhas de oliveira.

6° Trabalho: Os Pássaros do Estínfalo

Existia na Arcádia um lago chamado Estínfalo. Ali, em espessa floresta, pululavam nuvens de pássaros que outrora haviam fugido de uma incursão de lobos e se multiplicado assombrosamente. Devoravam tudo: sementes, frutos, colheitas.

Pássaros-do-Estínfalo

Euristeu ordenou a Hércules que pusesse termo àquele flagelo. A dificuldade consistia em fazê-los sair do abrigo. Mas o herói confeccionou uma espécie de castanholas de bronze (ou Atena lhes deu de presente) e, ao ouvir o barulho, os pássaros revoaram, sendo logo abatidos a flechadas.

7° Trabalho de Hércules: O Touro de Creta

Agora, na Grécia, não havia mais monstros nem tarefas à altura do herói. Euristeu teve de procurar no estrangeiro novas provas. Mandou Hércules para Creta. Tratava-se outra vez de um touro – um touro fantástico, ao que se dizia, enviado por Poseidon a Minos, que o instalara como reprodutor em seu rebanho.

Infelizmente enlouquecera e começara a espalhar o tenor pelos campos. Hércules recebeu ordem de levá-lo vivo a Micenas. E com efeito, depois de obter a permissão de Minos, capturou-o e regressou ao Peloponeso, carregando o animal nos ombros, tal qual Europa, no passado, cruzara o mar entre a Síria e Creta.

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Euristeu, de posse do touro, não soube o que fazer com ele. Libertado logo depois, trotou para Maratona, onde Teseu mais tarde o apanhou e sacrificou.

8° Trabalho: As Éguas de Diomedes

O rei trácio Diomedes, filho de Ares, tinha um rebanho de éguas que alimentava com carne humana. Hércules, sozinho ou à frente de um exército, apossou-se delas e deu-lhes a comer o próprio Diomedes. Em seguida, levou-as para Argos, onde Euristeu as soltou e dedicou a Hera.

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No caminho da Trácia, o herói foi hospedado por Admeto, rei de Feras, que por educação disfarçou sua dor pela perda recente da esposa, Alceste. Hércules descobriu a verdade e lutou com a Morte, obrigando-a a devolver Alceste, que entregou ao marido.

9° Trabalho: O Cinto de Hipólita

Euristeu sentia-se cada vez mais embaraçado. Já não sabia que tarefa impor ao primo. Foi então que sua filha Admeto manifestou o desejo de possuir o cinto de Hipólita, rainha das Amazonas.

As Amazonas eram um povo de mulheres que vivia na região do Cáucaso. Filhas do deus da guerra, Ares, seu maior prazer eram os combates. Matavam ou mutilavam os meninos que lhes nasciam e só criavam as meninas, adestrando-as no manejo das armas, sobretudo o arco, em que eram exímias.

A rainha Hipólita usava um cinto famoso, presenteado por Ares e símbolo de seu poder. Hércules pôs-se em marcha para atender ao capricho de Admeto. Levava consigo apenas uns poucos voluntários. Depois de muitas aventuras, chegou são e salvo ao porto de Temiscira, no país das Amazonas.

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Hipólita, ao saber do desejo de Admeto, não ofereceu dificuldades e mandou o cinto a Hércules. Mas a deusa Hera, assumindo feições de amazona, suscitou uma querela entre o povo de Hipólita e o séquito de Hércules. Travou-se a batalha. Hércules, julgando-se traído, matou a rainha. Em seguida, voltou à Grécia com o cinto.

10° Trabalho: Os Bois de Geriáo

Euristeu, que era dono de muito gado, quis então possuir uma raça de bois desconhecida do resto dos mortais e exigiu que o primo lhe fosse buscar os de Gerião. Este era filho daquele Crisaor nascido do sangue de Medusa; seus rebanhos pastavam tranquilamente, sob a guarda de Euritião e seu cão Ortro, na ilha de Erítia.

A aventura não parecia nada fácil. Primeiro, seria preciso que Hércules chegasse à ilha de Erítia, que como seu nome indica situava-se nas “terras vermelhas” do Ocidente, onde o Sol se põe. Assim, para alcança-la, cumpria atravessar o Oceano. Ocorreu ao herói a ideia de pedir emprestado o navio do Sol, que todas as noites voga de Ocidente a Oriente.

Ora, não se tratava de um navio comum, armado de velas e remeiros, mas de uma imensa copa fabricada pelos deuses muito antes da descoberta da arte da construção naval. A bem da verdade, o Sol não gostou muito da ideia de emprestar seu veículo, mas viu-se obrigado a isso.

O sol

Quando Hércules atravessava o deserto da Líbia, o astro dardejara tão fortemente sobre ele que o herói se sentira incomodado e ameaçara o deus com suas flechas. O Sol ficou aturdido e implorou-lhe que não atirasse; Hércules aproveitou a oportunidade e exigiu a copa. Chegado a Erítia, massacrou a flechadas e golpes de dava o cão Ortro, o pastor Eritião e o próprio Gerião, que correra em socorro de seus amigos.

Em seguida, embarcou os animais na copa do Sol e regressou ao continente. Foi ter à Espanha, à região de Gades, de onde por terra tomou o caminho da Grécia. Mas outras dificuldades espiavam o viajante. Certa feita, cruzando a Ligúria (atual Provença, na França), um magote de nativos atirou-se sobre ele.

As flechas do herói promoveram grande carnificina, mas os inimigos eram tão numerosos que a munição lhe faltou. Hércules então orou a Zeus, que fez tombar uma abundante chuva de pedras. Ainda hoje a planície ao redor de Marselha, chamada Crau, mostra-se coberta de rochedos que atestam a realidade da aventura.

Finalmente os bois de Gerião chegaram a Micenas, onde Euristeu os sacrificou a Hera, por não saber o que fazer com eles.

11° Trabalho de Hércules: As Maçãs de Hespérides

Euristeu alimentava a fantasia de deitar mão aos pomos de ouro que a Terra, outrora, ofertara a Hera por ocasião de suas núpcias com Zeus.

A deusa os achara tão belos que os plantou em seu jardim, um bosque sagrado ao pé do monte Atlas, a oeste da África Menor. E como as filhas de Atlas costumassem pilhar esse jardim, colocara a árvore com suas maçãs maravilhosas sob a guarda de um dragão de cem cabeças.

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Também instalara lá, com a mesma função, três ninfas da noite, as Hespérides. Tais os frutos divinos que Hércules devia arrebatar. O primeiro cuidado do herói foi saber o caminho. As ninfas do Erídano confidenciaram-lhe que somente o deus marinho Nereu poderia responder às suas perguntas sobre o país das Hespérides.

Nereu

As ninfas conduziram-no à presença do deus, mas esclareceram que Nereu não gostava de bisbilhoteiros e assumiria todas as formas possíveis antes de responder. Hércules, assim advertido, precipitou-se sobre Nereu e amarrou-o fortemente, de modo que o deus poderia metamorfosear-se quanto quisesse, sem jamais conseguir libertar-se.

Por fim voltou a ser ele mesmo e ensinou ao herói o caminho a seguir. Hércules teve de escalar as penedias do Cáucaso e, com uma seta, trespassar o abutre que roía o fígado de Prometeu.

Chegado à extremidade do mundo, Hércules embarcou mais uma vez na copa do Sol. Prometeu, em paga do serviço prestado, instruíra-o a não colher pessoalmente as maçãs mas encarregar dessa tarefa o gigante Atlas. Por isso Hércules, mal pôs pé no país das Hespérides, foi procurá-lo.

Atlas

Atlas pertencia à raça dos Titãs e a punição que Zeus lhe infligira consistia em suportar aos ombros o peso da abóbada celeste. Acedeu de bom grado ao pedido do herói e exigiu apenas que este o substituísse pelo tempo necessário à colheita dos frutos de ouro.

Hércules teve de aceitar, mas Atlas, de volta, declarou-lhe rindo que iria ele próprio levar os pomos a Euristeu e enquanto isso Hércules lá ficasse a sustentar o firmamento.

Dissimulando a cólera, o filho de Zeus fingiu conformar-se e só pediu que Atlas lhe pusesse uma almofada ao ombro. Atlas levantou por um instante a abóbada do Céu, e Hércules, abaixando-se rapidamente, esquivou-se.

Atlas teve de retomar seu fardo. Euristeu, mal se viu de posse das maçãs de ouro, também não soube o que fazer com elas. Deu-as ao herói; este, por sua vez, presenteou-as a Atena, que as devolveu ao jardim maravilhoso.

12° Trabalho de Hércules: Cérbero

Em seu derradeiro trabalho, Hércules teve de descer aos Infernos, pois Euristeu queria possuir o cão Cérbero, monstro de três cabeças que vigiava os mortos. Jamais, apesar de todo o seu valor, o herói teria conseguido arrematar bem essa aventura se não fosse ajudado por Hermes e Atena, conforme ordem de Zeus.

A fim de alcançar os Infernos, tomou a roda do cabo Tênaro, onde se abre uma boca das regiões subtérreas, em meio a uma paisagem pavorosamente desolada. Ao vê-lo aparecer em seu reino, as Almas sentiram-se amedrontadas. E Hércules mal chegou sem mais empecilhos diante do trono de Hades, exigiu-lhe Cérbero.

O desafio de Hades

O deus do submundo consentiu, mas com uma condição: o herói devia dominar o animal sem ajuda de nenhuma arma. Hércules então atacou Cérbero, agarrou-o pelo pescoço e forçou-o a obedecer.

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Depois, passando-lhe um laço, volveu à superfície. Euristeu, ao dar com o monstro, teve mais medo que nunca.

No entanto o pobre Cérbero, atordoado com a luz do sol, que nunca vira antes, mal podia abrir seus três pares de olhos e, sob os raios que o castigavam, não parecia nada ameaçador. Euristeu, contudo, nem por isso deixou de correr para seu esconderijo habitual e recusar-se a sair enquanto o maldito cão estivesse por perto. Hércules, não sabendo o que fazer do animal, acabou reconduzindo-o aos Infernos.

Resumo: os doze trabalhos de Hércules

 

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