Perséfone – A esposa de Hades | Deusa da Mitologia Grega

Perséfone – A esposa de Hades | Deusa da Mitologia Grega

Deméter teve de Zeus, seu irmão, uma filha que adorava: Perséfone (também chamada simplesmente Cora, que significa “donzela”). Crescia a jovem feliz entre as ninfas, em companhia das irmãs Atena e Ártemis, e pouco se preocupava com o casamento.

Perséfone e Hades

Certo dia, quando Perséfone colhia flores – rosas, açafrões e violetas – numa bela pradaria, a Terra fizera brotar lírios, jacintos e um narciso, fresco como uma corola, a fim de agradar a Hades, o deus do mundo subterrâneo. A flor brilhava maravilhosamente e encantava todos os que a contemplavam, deuses e mortais. Brotara de sua raiz uma haste de cem pétalas, que espalhavam um dulcíssimo aroma.

Perplexa, a donzela estendeu ambos os braços para agarrar o belo narciso; mas a terra abriu-se na planície e surgiu, com seus cavalos imortais, o rei dos mortos. Hades arrebatou-a e, malgrado a resistência oposta, instalou-a em lágrimas em seu carro de ouro. Perséfone emitiu gritos agudos, invocando Zeus, pai supremo e poderoso.

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Perséfone é levada ao submundo

Mas ninguém, entre os Imortais e os homens, apercebeu- se de seu desespero. Só, em sua ternura, a deusa Hécate – bem como Hélio, o Sol -, ouviu, das profundezas de seu antro, a jovem invocar o Pai Zeus. Este, porém, estava então muito longe dos outros deuses, num templo repleto de suplicantes, recebendo as belas oferendas dos mortais.

Enquanto a deusa pôde perceber a terra, o céu estrelado, o mar piscoso de correntes violentas e os raios do Sol, esperando rever a mãe querida e a raça dos deuses imperecíveis, a esperança animou seu coração, apesar de tantas aflições.

Deméter procura pela filha

Os cimos dos montes e o abismo dos mares ecoaram os gritos da deusa Perséfone, e sua mãe Deméter os ouviu. Desesperada, procurou por sua filha por nove dias e nove noites, percorrendo todos os cantos da terra. Ninguém sabia lhe informar o paradeiro de sua filha.

Entretanto, Deméter acabou por encontrar-se com a deusa Hécate, que lhe levou para pedir orientações ao Sol que, de cima, podia enxergar a todos os deuses gregos. Foi então que lhe foi revelada a verdade: Hades havia levado Perséfone, e Zeus permitiu.

A fúria da deusa da colheita

Enfurecida, Deméter, que é a deusa grega da colheita, fez com que as terras ficassem inférteis por pouco mais de um ano, o que quase ocasionou a extinção dos mortais. Zeus tentou fazer com que mudasse de ideia, mas a deusa da colheita disse que a única maneira de fazer com que as terras voltassem a ser férteis seria que lhe entregassem Perséfone.

Hermes sai em busca de Perséfone

Ouvindo essas palavras, Zeus mandou Hermes, o deus do caduceu de ouro, à escuridão do Mundo Subterrâneo, a fim convencer Hades, com doces palavras, a permitir que das brumas escuras a Perséfone regressasse à luz e ao grêmio dos deuses. Hermes obedeceu e, deixando logo a morada do Olimpo, mergulhou nas profundezas subterrâneas. Encontrou Hades em casa, dormitando no leito ao lado da esposa Perséfone – que frequentemente se revoltava, com saudades da mãe.

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Hermes postou-se diante deles e explicou a Hades a razão da sua chegada. O rei dos povos subtérreos arqueou ironicamente o sobrecenho, mas não desobedeceu às ordens de Zeus. Logo determinou à esposa:

– “Vai, Perséfone, para junto de tua mãe, mas conserva no peito um coração sereno. Não te desesperes em excesso: seria inútil e vão. O esposo que em mim tens não é indigno de ti entre os Imortais, pois sou irmão do próprio Zeus Pai. Quando estiveres aqui, reinarás sobre todos os seres que vivem e se movem; gozarás dos maiores privilégios entre os deuses; e serão castigados todos quantos não te propiciarem com piedosos sacrifícios e gratas oferendas”.

O fruto proibido do Tártaro

Assim falou e Perséfone alegrou-se, saltando de prazer. Mas, à socapa, Hades deu-lhe a comer o fruto da romãzeira, a fim de que não permanecesse para sempre junto a Deméter. Em seguida, atrelou os cavalos imortais ao carro de ouro. Perséfone tomou lugar; a seu lado Hermes de rédeas e chicote em punho, atravessou todo o palácio, ao trote espontâneo da parelha.

Rapidamente, percorreram a longa rota: nem o mar, nem a onda dos rios, nem os vales cobertos de matas, nem os picos dos montes detinham o ímpeto dos divinos animais, que varavam os ares. Hermes deteve-se finalmente diante do templo oloroso, onde estava Deméter. Ao vê-los, deu um salto.

Perséfone volta ao Olimpo

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Hermes devolve Perséfone à sua mãe Deméter

Quanto a Perséfone, ao contemplar o rosto da mãe, desceu da carruagem do esposo e, correndo, caiu-lhe nos braços. Mas Deméter, estreitando-a ainda ao peito, de repente suspeitou de alguma perfídia. E, recuando temerosa, perguntou:

– “Filha, comeste alguma coisa enquanto estavas lá embaixo? Nada me ocultes! Se não comeste, poderás viver comigo e teu pai, Zeus, rodeada de honras entre os Imortais. Mas se comeste algo, voltarás para as profundezas da terra e lá permanecerás a terça parte do ano: o restante passarás comigo e os outros deuses. Quando a primavera explodir em perfumadas flores, de novo regressarás das escuras regiões. Mas dize lá, filha, por que meios astutos o poderoso anfitrião te ludibriou”?

Respondeu-lhe Perséfone:

– “Vou dizer-te toda a verdade, mãe. Quando Hermes apareceu da parte de meu pai dizendo que eu deveria voltar das Trevas Infernais para que me visses com teus próprios olhos e serenasses a cólera, imediatamente saltei de alegria. Hades, porém, ardilosamente meteu-me na boca sementes de romã, bocado dulcíssimo, e obrigou-me a engoli-las”.

Deméter, a deusa que controla as estações do ano

A partir daí, Deméter e sua filha Perséfone passaram dias conversando fazendo trocas de afeto.  Zeus então chamou Deméter para viver junto aos deuses gregos do Olimpo. Deméter aceitou e, já que tinha sua filha de volta, cumpriu sua parte no acordo: em pouco tempo, os campos começaram a tornar-se verdes novamente, com a terra fértil, proporcionando assim colheitas abundantes.

Enquanto estivessem juntas, Deméter e Perséfone permaneciam muito felizes. Entretanto, na época em que Perséfone permanecia no submundo com Hades, sua mãe ficava triste, refletindo suas emoções nas condições climáticas. É por isso que Deméter é conhecida como a deusa que controla as estações do ano, pois estas refletem o seu humor.

 

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