Belerofonte, herói da mitologia | Pégaso e Quimera

Belerofonte, herói da mitologia | Pégaso e Quimera

Na mitologia grega, Belerofonte foi o maior dos heróis coríntios. Quando adolescente, destacava-se por sua força, beleza e bravura extraordinárias, estando sempre disposto a desincumbir-se de alguma tarefa difícil.

A origem de Belerofonte

Nascido em Corinto, o herói precisou fugir de casa após matar involuntariamente um irmão e foi para a corte de Preto, rei de Tirinto, que o purificou. Ali, a esposa de Preto, Estenobéia (ou Antéia, como lhe chama Homero), apaixonou-se por ele. Repelida, o amor da rainha converteu-se em ódio. E ela disse ao marido:

– “Se tens algum respeito por tua esposa, manda matar esse rapaz. Ele morre de amores por mim, e já tentou forçar-me a trair-te”.

Preto acreditou na falsidade da esposa, mas não quis ter a culpa e impopularidade de condenar o jovem à morte. Por conseguinte, mandou-o fazer uma visita a seu sogro Iobates, rei da Lícia, na Ásia Menor, quando seria portador de uma mensagem lacrada que dizia:

– “Se dás algum valor ao meu afeto e à minha amizade; não faças perguntas e manda matar imediatamente o portador desta mensagem.”

A mensagem ao rei Iobates

Belerofonte levou a mensagem sem suspeitar que carregava a própria sentença de morte, e cruzou o mar em direção à Lícia. Quando lá chegou, o rei lobates, sabendo-o o favorito do rei de Tirinto, recebeu-o calorosamente com um festim nos ricos salões do palácio.

Estiveram amigáveis e alegres durante a noitada, mas, ao terminar, Belerofonte entregou-lhe a mensagem que trouxera, a qual foi lida pelo rei com espanto e consternação, não podendo acreditar que um jovem tão galante pudesse ter desrespeitado seu protetor. Não desejava, igualmente, afrontar as normas sagradas da hospitalidade condenando à morte um forasteiro que festejara em seus próprios salões.

Por outro lado, não podia negar-se a obedecer às instruções inequívocas do rei de Tirinto. Ocorreu-lhe, então, um plano, pelo qual o rei pudesse inculpar-se de ser o causador direto da mesma.

O desafio lançado pelo rei

Belerofonte já se havia colocado ao dispor do rei para qualquer serviço de que necessitasse. Assim, o rei ordenou-lhe que encontrasse e exterminasse a Quimera, um monstro invencível que vivia em cavernas rochosas e devastava todos os arredores.

A Quimera possuía cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão, e pela boca vomitava tais rajadas de fogo e fumaça que dela ninguém conseguia aproximar-se. Movia-se com incrível rapidez, sempre à caça de homens e gado, o que fazia com que as proximidades das suas cavernas se transformassem em uma vastidão inculta e deserta.

Belerofonte conhecia as dificuldades e riscos da tarefa, porém aceitou-a de bom grado. Sua coragem, contudo, não lhe teria bastado, se não fosse auxiliado pela deusa Atena. Disse-lhe ela que jamais derrotaria a Quimera sem a colaboração de Pégaso, o cavalo alado que se originara do sangue da Medusa, abatida por Perseu, o qual vivia no monte Hélicão em companhia das Musas, jamais tendo sentido o peso de mão humana em seu dorso.

Belerofonte encontra o Pégaso

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Mais uma vez Belerofonte preparou-se para uma longa jornada. Por fim, encontrou o cavalo, animal maravilhoso e veloz, branco como a neve e macio como seda, não apenas todo o seu pelo, mas também as reluzentes asas plumosas laterais. Um dia inteiro Belerofonte tentou atirar um freio em volta do pescoço do animal, mas Pégaso não lhe permitia aproximar-se o bastante para fazê-lo.

Sempre que Belerofonte se acercava, o cavalo galopava para longe de seu alcance ou batia as asas e transportava-se, através do espaço, para a campina fresca onde costumava pastar. A noite, exausto e desesperançado, Belerofonte deitou-se para dormir. Sonhou que Atena aparecera-lhe e entregara-lhe um freio dourado.

Ao despertar, constatou que isso realmente acontecera. A seu lado achava-se um magnífico freio de ouro e, agarrando-o, pôs-se imediatamente em busca de Pégaso. Quando o cavalo viu o freio, curvou a cabeça e aproximou-se docilmente, permitindo que Belerofonte lhe colocasse o freio e montasse. Depois, subiu aos ares e disparou como uma estrela cadente por entre as nuvens.

Belerofonte enfrenta Quimera

Voando sobre as profundas ravinas e cavernas rochosas das montanhas, Belerofonte distinguiu lá embaixo o fulgor avermelhado de fogo e fumaça subindo ao ar. Retificou o rumo de Pégaso e voou próximo à terra. Logo em seguida surgia o corpanzil do monstro saindo enfurecido do seu covil.

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Pégaso adejou por cima dele como uma águia sobre sua presa, e Belerofonte crivou-lhe o enorme corpo de cabra com flechas, até que o solo ficou empapado de sangue. Em seguida precipitou-se entre as nuvens de fumaça, introduzindo sua espada inúmeras vezes no pescoço e flancos da fera. Pouco depois a Quimera estava morta e estirada no chão, e Belerofonte terminou por decepar-lhe a cabeça.

A despedida do Pégaso

Após o embate, o herói disse adeus ao nobre cavalo alado que o auxiliara, já que Atena lhe havia dito que assim que tivesse completado a tarefa deveria soltar o animal. Pégaso disparou como um raio e jamais voltou a ser montado por outro mortal.

Há quem diga que ele retomou às pastagens relvosas de Hélicão e que num ponto em que seus cascos bateram lá brotou a fonte de Hipocrene. Outros dizem que foi a ocasião em que Zeus colocou o cavalo alado entre as estrelas.

O retorno a Lícia

Belerofonte voltou à presença do rei Iobates carregando a cabeça da Quimera. O monarca ficou muito satisfeito pela destruição do monstro e admirou a intrepidez do rapaz. Apesar disso, ainda se julgava na obrigação de seguir as instruções do rei de Tirinto e assegurar-se da morte de Belerofonte.

Então, logo a seguir, enviou-o para combater os solimos, uma tribo de ferozes montanheses que viviam na fronteira da Lícia e derrotavam todos os exércitos que para lá se dirigiam com o propósito de exterminá-los. Fazendo-se acompanhar de uma pequena tropa, Belerofonte rumou para as montanhas, matou parte dos componentes da tribo e aprisionou os restantes, regressando sem um ferimento sequer.

Belerofonte enfrenta as Amazonas

Persistente que era, o rei deu-lhe nova incumbência: defrontar-se com as Amazonas, ferozes guerreiras que já haviam aniquilado tantos exércitos de homens em batalhas. A elas também Belerofonte venceu, e o rei imaginou um último plano para satisfazer o desejo do rei de Tirinto.

Selecionou os melhores e mais fortes dentre os seus guerreiros e ordenou-lhes que liquidasse Belerofonte de tocaia por ocasião do seu retomo da vitória sobre as Amazonas. Novamente os deuses gregos pouparam-no. Com as próprias mãos ele matou todos os atacantes, e, ao chegar à corte, Iobates exclamou:

“ – Não pode haver dúvida de que o jovem é inocente. Caso contrário, os deuses não lhe teriam salvo a vida tantas vezes”.

Concedeu a Belerofonte a mão da filha em matrimônio, com ele partilhando suas riquezas e o trono. Quando Iobates morreu, Belerofonte tornou-se rei da Lícia.

 

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