Polifemo e Galatéia – Mitologia Grega

Polifemo e Galatéia – Mitologia Grega

Nas costas rochosas da Sicília, vivia o gigante ciclope Polifemo. Era filho de Poseidon. Possuía no centro da testa um único e enorme olho. Sua mente era tão rústica quanto o imenso corpo peludo. Uma figura totalmente repelente.

Galatéia, a ninfa dos mares

Certa vez, quando ele perambulava pela praia, apoiado num cajado enorme, da altura do mastro de um navio e alimentando seus bandos de ovelhas, avistou a ninfa dos mares Galatéia. Imediatamente por ela se apaixonou. Mas ela estava apaixonada pelo belo Ácis, filho de Fauno e da ninfa marinha Simétis (filha do deus fluvial Simeto, na Sicília).

Galatéia detestava o ciclope e a corte que este lhe fazia tanto quanto amava Ácis, o que não impedia que o gigante perseverasse em suas tentativas de lhe conquistar o coração. Passou ele a negligenciar seus rebanhos e suas cavernas com estoque de queijo e de leite, preocupado como estava em melhorar a aparência selvagem e procurar tornar-se atraente.

Polífemo decide conquistar a ninfa dos mares

Polifemo penteou a cabeleira desgrenhada com um ancinho, e raspou a barba rija com uma foice. Depois fitou o rosto grosseiro numa lagoa, e tentou adquirir uma expressão mais agradável. Existia um elevado promontório em forma de cunha que se projetava sobre o mar, com água em ambos os lados, onde o selvagem ciclope costumava repousar.

polifemo-ciclope

Para lá se dirigiu ele seguido por suas ovelhas, embora não mais lhes prestasse atenção. Atirou o imenso bastão à frente dos pés, e apanhou o cachimbo. Todas as montanhas, em volta, escutaram o ruído de suas baforadas. O gigante pôs-se a tocar sua flauta de cem tubos.

Escondida detrás de uma rocha a grande distância, entre os braços de Ácis, Galatéia podia ouvir a canção de Polifemo, que começava por descrever a estonteante beleza da amada, depois gemia, em amargos acentos, sua dura indiferença e prosseguia com a oferta de muitos presentes toscos.

Os apelas do Polifemo a Galatéia

O tragicômico apelo de Polifemo iniciava assim:

-“Vem, Galatéia, não desprezes meus magníficos presentes! Decerto que me conheço; há pouco vi-me refletido num lago cristalino e aquela imagem pareceu-me agradável. Olha como sou grande! Nem Zeus, no céu, tem um corpo maior que o meu (pois vives me dizendo que um tal Zeus reina lá em cima).

Cabelos abundantes caem-me pela cara abaixo e, como um bosque, cobrem-me os ombros; e não cuides que meu corpo seja feio só por estar revestido de grossa pelagem. Uma árvore sem folhas não é bonita; não é bonito o cavalo que não tem o pescoço ornado de revolta crina; penas protegem as aves e a lã é o adorno das ovelhas. Sim, convém ao homem barbaças e cabeleira hirsuta”.

A determinação de Polifemo em conquistar Galatéia

Determinado a conquista-la, Polifemo continuou a declarar-se a Galatéia:

-“Está bem, tenho um olho só no meio da testa: e daí? O sol não contempla tudo o que vai pelas terras das alturas do céu? Ora, o Sol também tem um único olho! Além disso, meu pai Poseidon reina sobre tuas águas e é ele que te darei por sogro. Mas apiada-te de mim e ouve minhas preces, minhas súplicas! Só a ti me entrego. Pouco se me dá o tal Zeus com seu céu e suas trovoadas. De ti, porém, tenho medo: tua cólera é mais devastadora que os raios dele.  

Eu ainda suportaria teu desprezo se não te aproximasses de ninguém; mas por que repelir-me e amar Ácis? Por que preferir Ácis a meus beijos? Que Ácis seja agradável para ele mesmo, vá lá; mas que seja agradável para ti, isso não! Dá-me uma oportunidade e Ácis saberá que minha força é do tamanho de meu corpo. Arrancar-lhe-ei as tripas e espalharei seus membros pela terra e pelas ondas de tuas águas – e assim ele se enleie contigo em amplexo amoroso!

A paixão me queimava e agora, repelido que fui, queima-me ainda mais: é como se eu carregasse no peito, com toda a sua força vulcânica, o monte Etna. E tu, Galatéia, não te comoves!”

Polifemo sai no encalço de Ácis

Depois de assim se lamentar em vão, Polifemo ergueu-se e, inquieto, pôs-se a vagar pelos bosques e pastagens que tão bem conhecia, como um touro furioso por ter sido apartado de sua vaca. Nisso, avistou Galatéia e Ácis abraçados atrás da rocha. Ele gritou:

– “Agora vos vejo e vou fazer com que essa vossa união amorosa seja a última! Era bem a grande e furiosa voz de um ciclope; o Etna chegou a tremer em seus fundamentos. Galatéia, aterrada, correu para o mar e mergulhou nas ondas. Ácis pôs-se a correr, gritando: – “Salva-me, Galatéia, salvai-me, queridos pais, e abrigai este miserando prestes a morrer em vosso úmido reino!”

polifemo-mata-ácis

 

O ciclope Polifemo, que lhe ia no encalço, alvejou-o com uma pedra arrancada da montanha. E embora apenas uma ponta atingisse Ácis, sepultou-o completamente. Foi então que o poder aquático de seus ancestrais transmitiu-se a ele – única solução permitida pelos Fados.

Ácis, o deus fluvial

Sangue vermelho começou a escorrer debaixo do rochedo que Polifemo o enterrara; em pouco tempo foi perdendo a cor original e assumindo a tonalidade de um riacho turvado por recente chuva; depois, clareou. O rochedo que estaca sobre ele partiu-se então e, da abertura, saiu um caniço verde e esguio, enquanto o oco da rocha ressoava batido pelas ondas.

Súbito, aconteceu uma coisa prodigiosa: metido até a cintura na água, lá estava um jovem, com seus chifres há pouco crescidos enredados de ramagens coleantes. Exceto por parecer maior e ter na face o matiz esverdeado das águas, era bem Ácis, metamorfoseado em deus fluvial.

Polifemo e Odisseu

Odisseu e sua esquadra resolvem atracar em uma ilha, sem saber que era habitada pelos ciclopes. Saindo em busca de alimento, entraram em uma caverna, sem saber que ali era a habitação de Polifemo. Ao chegar, o ciclope fecha a entrada da caverna com uma enorme pedra e começa a devorar os marinheiros.

Odisseu então teve uma ideia: resolveu oferecer vinho ao ciclope, que lhe perguntou: “Quem me oferece essa bebida?” – Ao que Odisseu responde: “Ninguém”.

Após ingerir a bebida, Polifemo caiu no sono. Odisseu e seus homens afiam uma tora, deixando-a pontiaguda como uma lança, e perfuram o olho do ciclope adormecido. Ao acordar, Polifemo retira a pedra da entrada da caverna e os marinheiros aproveitam para fugir. Ao perceber que estava cego, começou a gritar aos outros ciclopes: -“Ninguém me deixou cego”!

Foi quando Odisseu lhe responde: “Quem te feriu fui eu, Odisseu”! O ciclope começou a atirar pedras, porém, não acertou em seus algoses. Pediu então a seu pai, Poseidon, que atormentasse Odisseu, que por causa disso, enfrentou grandes dificuldades em sua embarcação ao ir embora.

 

Continue aprendendo sobre MITOLOGIA E ARTE

Gostou do mito de Polifemo, Galatéia e Ácis? Compartilhe!

Deixe um comentário