Rei Midas e o toque de ouro – Mitologia grega

Rei Midas e o toque de ouro – Mitologia grega

Rei Midas é reconhecido na mitologia grega por ser um homem obcecado por suas riquezas. Apesar de viver em abundancia e possuir muitas posses, estava sempre pensando em maneiras de aumentar as suas riquezas. Um de seus divertimentos preferidos era espalhar moedas de ouro pela mesa para, em seguida, conta-las.

O encontro com Dionísio, deus do vinho

O velho Sileno, o gorducho companheiro de Dionísio, deus do vinho, estava quase sempre embriagado. Certa vez, no país da Frígia, alguns camponeses encontraram-no no campo entorpecido pelo vinho, colocaram-lhe grinaldas de flores e levaram-no à presença do seu rei, que se chamava Midas.

Rei Midas respeitava tanto Dionísio como seus seguidores. Ficou satisfeito em ver o velho Sileno e hospedou-o com liberalidade. Durante dez dias ofereceu-lhe banquetes e festas, e no décimo levou-o de volta a Dionísio. Foi tão grande a alegria de Dionísio ao verificar que o companheiro estava são e salvo, que disse ao Rei Midas:

– “Pede-me o que quiseres, que serás atendido”.

Rei Midas não fez bom uso da oportunidade. “O que eu mais desejaria” – respondeu ele – “é que tudo aquilo que eu tocasse se convertesse em ouro”. Dionísio atendeu o pedido com constrangimento, sabedor de que esse desejo somente iria trazer-lhe infortúnio.

Rei Midas e o toque de ouro

Rei Midas, por seu turno, retirou-se deleitado, decidido a experimentar sem perda de tempo o seu toque de ouro. Mal se atrevendo a acreditar, partiu o galho de um carvalho. Imediatamente o galho se transformou em ouro.

Apanhou uma pedra do chão, e ela reluziu e faiscou como metal precioso. Tocou num torrão de terra, e este virou pepita de ouro. Passou a mão sobre espigas de uma plantação de milho, e a colheita foi de ouro. Se tocava nas colunas do seu palácio, elas logo luziam e lampejavam.

Quando lavou as mãos, a água corrente foi como um chuveiro de ouro. Sentiu-se imensamente feliz ao constatar que poderia transformar em ouro tudo que desejasse.

O infortúnio do toque de ouro

Rei Midas ainda se rejubilava com seu recém conquistado toque de ouro, quando os servos lhe trouxeram uma mesa repleta das mais saborosas carnes acompanhadas de pães. Assim que esticou a mão para apanhar um pão, este se tomou duro e rijo.

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Colocou um naco de carne na boca e começou a mastigá-lo, mas seus dentes mastigaram metal consistente. Misturou um pouco de água no vinho que ia beber, mas, ao levar o copo aos lábios, o que se derramou em sua boca foi metal derretido. Isso era longe de ser o que ele esperava. Estava incrivelmente rico, mas sentia-se amargurado.

Rei Midas pede ajuda a Dionísio

Rei Midas ansiava por livrar-se dessa abastança, odiando aquilo que solicitara. Toda a comida do mundo não poderia aplacar-lhe a fome. Tinha a garganta ressecada de sede. Estava sendo torturado pelo odioso ouro. Erguendo para o céu os braços, suplicou:

– “Ó divino Dionísio, perdoai o meu erro! Apiedai-vos de mim, e livrai-me da dádiva que parecia ser tão diferente do que realmente é! ”

Os deuses são bondosos. Rei Midas reconhecera seu engano e Dionísio converteu-o no que era antes. E disse-lhe:

– “ Para que não permaneças com a pele toda recoberta com o ouro que sua insensatez desejou, vai ao Rio Pactolo que escorre além da cidade de Sardes. Segue a correnteza através das montanhas até encontrar sua nascente. Lá, onde a água espumante brota do rochedo aos borbotões, banha a cabeça e o corpo, ao mesmo tempo teu pecado será lavado”.

Rei Midas fez como lhe fora ordenado, e o ouro passou do seu corpo para a água. Até hoje o rio rola sobre áreas douradas e transporta poeira de ouro para o mar. Desde então, Rei Midas passou a abominar riquezas.

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